JUAN MABROMATA|AFP
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Mudança na Argentina anima negociadores da UE

Eleição de um governo mais disposto à abertura comercial é vista como um fator positivo para acordo com Mercosul

Roberto Lameirinhas, ENVIADO ESPECIAL / MADRI, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2015 | 23h19

A eleição de Mauricio Macri na Argentina deu um novo ânimo para os negociadores europeus que buscam forjar um acordo entre o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e a União Europeia. "Há um clima de otimismo em relação ao futuro do acordo, uma vez que o atual governo argentino vinha pondo uma série de obstáculos para a continuidade do diálogo", declarou ao Estado uma fonte envolvida nas tratativas, que pediu para não ter o nome divulgado. "Nenhum pacto que envolva um número tão grande de países será fácil, mas a eleição de um governo argentino mais disposto à abertura comercial é um dado positivo."

  Representantes da União Europeia se reúnem em Bruxelas na sexta-feira para analisar a recente oferta do Mercosul que abrange 87% dos bens e serviços que entrariam no acordo de preferências comerciais entre os dois blocos. Com a posição do Brasil de dar prioridade à assinatura do acordo até o fim de 2016, a abrangência só não foi maior em razão da resistência do governo argentino, que insistia em manter algumas tarifas protecionistas.

  Alguns pontos ainda pendentes do diálogo dizem respeito aos itens não tarifários da negociação, como por exemplo o reconhecimento de títulos profissionais entre os países dos dois blocos - principalmente o de engenheiros -, questões ligadas à propriedade intelectual e medidas de proteção dos investimentos. Além da Argentina, pelo lado europeu França, Irlanda, Hungria e Lituânia estavam entre os países mais refratários a um acordo. "O importante é que cheguemos a um acordo de princípios já nesta próxima etapa das negociações", disse o diretor-geral de Comércio Internacional e Investimentos da Espanha, Antonio Fernandes-Martos. "Podemos assumir o compromisso de discutir as questões mais polêmicas caso a caso, nas próximas fases do diálogo." Espanha, Portugal e Alemanha estão na linha de frente da defesa do acordo no bloco europeu.

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