Mudança no caráter da PDVSA contribuiu para escassez

Para economista José Toro Hardy, pouca confiança de investidores resultou na falta de divisas para importações

CARACAS, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2014 | 04h23

A expropriação de terras durante os 15 anos de chavismo aliada à mudança de caráter da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), que, após a ascensão de Hugo Chávez ao poder, assumiu cada vez mais um caráter social - cuidando, por exemplo, de importação de alimentos e medicamentos subsidiados e da agricultura - contribui para a escassez que há atualmente no país, segundo o economista venezuelano José Toro Hardy.

"O governo expropriou de empresas privadas 4 milhões de hectares de terras que eram produtivas e agora não produzem mais. Houve anos em que até 5 mil contêineres de alimentos importados apodreceram nos portos. A empresa ficou responsável por semear milho e comprar remédios no exterior, coisas com as quais seus funcionários não tinham familiaridade", afirmou Toro Hardy, que integrou o principal corpo diretivo da PDVSA entre 1995 e 1999 e, hoje, é crítico ao governo.

Segundo o especialista, a queda na produtividade registrada na empresa durante o período também fez com que houvesse menos dinheiro para as importações do que a Venezuela necessita para subsistir.

Estima-se que 70% dos alimentos e 90% dos insumos médicos sejam importados no país.

Toro Hardy disse que a reformulação do quadro de funcionários da PDVSA posta em prática por Chávez após a greve ocorrida entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003, associada à diminuição da confiança internacional na empresa foram as principais causas da queda na produção petroleira e a consequente diminuição de entrada de divisas estrangeiras no país, necessárias para as importações.

Metade dos cerca de 42 mil funcionários da estatal foi demitida depois da paralisação - "75% dos executivos", entre eles. "Hoje a empresa está inchada, tem mais de 140 mil funcionários", disse Toro Hardy.

De acordo com o analista, se os investimentos estrangeiros na estatal venezuelana não tivessem diminuído, a empresa deveria estar produzindo cerca de 5 milhões de barris diariamente, mas produz, segundo ele, menos da metade disso. / G.R.

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