Mudanças no Conselho da ONU serão difíceis

Uma reestruturação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mesmo levando em conta a morosidade da organização, vem sendo negociada há 18 meses sem nenhuma solução à vista. Conversações vagas dentro do Grupo de Trabalho Aberto, apelidado de comissão "perpétua", deram lugar, em 2008, ao que se pretendeu ser negociações de verdade. Nenhuma barganha ocorreu.

Cenário: Neil MacFarquhar, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

Mas, no caso de conversações efetivas, existe potencial para se chegar a um consenso. Entre os principais temas a ser debatidos estão: como ampliar o atual Conselho para mais de 15 assentos; se esses assentos serão permanentes ou seus membros deverão ser eleitos; e se os novos membros terão poder de veto. Há uma profusão de propostas: cinco novos membros permanentes sem poder de veto, mais cinco outros eleitos, perfazendo um total de 25, por exemplo, ou a criação de um nível intermediário de cadeiras para países bastante envolvidos na ONU, com um mandato de três ou quatro anos.

Há um acordo no sentido de que o Conselho, que ainda reflete o mundo de 1945, precisa ser expandido para incluir potências emergentes. O Conselho foi ampliado de 11 para 15 membros em 1965, e a China assumiu o assento permanente em 1971. Mas, salvo a proposta de ampliação, não há consenso sobre nenhuma outra questão, e as disputas regionais sobre quem poderá preencher as novas cadeiras permanentes tornam qualquer mudança problemática, talvez impossível. O anúncio feito pelo presidente Obama foi inusitado, uma vez que ele, na realidade, indicou a Índia como candidata a uma vaga permanente. Rússia e França, como os EUA, às vezes endossam um novo membro permanente: o Brasil.

Os cinco membros permanentes têm feito pouco para a proposta avançar. Analistas questionam se um Conselho ampliado será mais eficaz; ele pode se tornar ainda mais moroso nas decisões. Outros analistas observam que Obama pode propor esse tipo de mudança, como se os EUA reconhecessem que a Índia tem um papel mais consistente no mundo, mas sem esperar alguma mudança de fato. "Não nos custa nada tentar vender motocicletas na Índia e propor alguma coisa que vai acabar dando em nada", disse Thomas G. Weiss, professor de ciências políticas e autor do livro What´s wrong with the United Nations (O que há de errado com as Nações Unidas). / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É JORNALISTA DO "NEW YORK TIMES"

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