Mudanças refletem poder crescente de líder chinês

Às vésperas do Congresso do Partido Comunista, Hu instala aliados em postos-chave no Politburo e no governo

Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2001 | 00h00

Um dos mais próximos assessores do presidente chinês, Hu Jintao, deve ser promovido, enquanto o ex-prefeito de Pequim - um aliado de Hu, demitido durante a crise da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2003 - deve retornar à vida pública, num sinal da força crescente do líder chinês. As mudanças antecedem o 17º Congresso do Partido Comunista, que começa em 15 de outubro. Estima-se que Hu deva promover outros aliados a postos-chave do governo, consolidando ainda mais o poder.Ling Jihua, de 50 anos, subdiretor do Escritório-Geral do Comitê Central do Partido Comunista, deve substituir Wang Gang, de 64 anos, como diretor, disseram fontes próximas da presidência chinesa. O escritório é o centro nervoso do partido, encarregado dos documentos secretos e assuntos administrativos e de logística do Politburo, órgão decisório do partido, de 23 membros.Os diretores anteriores do escritório-geral eram também membros do Politburo, como o atual premiê, Wen Jiabao, e Zeng Qinghong, vice-presidente em exercício. De acordo com a mídia estatal, o ex-prefeito de Pequim, Meng Xuenong, de 58 anos, foi nomeado subchefe do partido na Província de Shanxi, norte do país, região rica em carvão.Na quinta-feira o Parlamento aprovou as indicações para as pastas de Segurança, Pessoal e Supervisão.Segundo analistas, as mudanças mostram uma ênfase maior na política de "desenvolvimento científico" de Hu, que visa corrigir a trajetória seguida pela administração anterior, caracterizada por um crescimento vertiginoso em detrimento do meio ambiente. Meng deve tornar-se o novo governador de Shanxi, substituindo Yu Youjun, de 54 anos, dependendo apenas de aprovação do Congresso Popular provincial. De acordo com as fontes, Yu receberá um ministério. Alguns meses depois de Hu assumir a presidência do PC chinês, em novembro de 2002, o país foi atingido pela Sars, doença que se abateu sobre a Província de Cantão e Hong Kong, para depois alastrar-se pelo globo, em 2003. Cerca de 8 mil pessoas foram infectadas e 800 morreram.Meng foi destituído da prefeitura de Pequim - como também o ministro da Saúde, um aliado de Jiang Zemin, antecessor de Hu - por terem encoberto o caso. Hu, então, deu ordens para tornar pública a epidemia. Meng foi subsecretário da Liga Jovem Comunista, de Pequim, base de poder de Hu, que alardeia ter 71,9 milhões de membros. Chen Liangyu, ex-chefe do partido em Xangai, foi despojado do cargo pelo Parlamento, depois de ter sido afastado por corrupção, no ano passado, informou a mídia estatal. Zhang Rui, vice-prefeito da cidade costeira de Qingdao,também foi demitido e preso por suspeita de corrupção, informou o jornal de Hong Kong, Ta Kung Pao.

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