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Mudar a Europa de Merkel

Cheio de autoconfiança, o presidente francês, François Hollande, arrasado nas recentes "eleições europeias" e dono de uma popularidade esquelética, parte "de espada em punho" ao ataque de Angela Merkel, a mulher mais poderosa do mundo. A chanceler alemã é a verdadeira líder da Europa. Quando ela fala, todos os chefes de Estado calam. Hollande, não!

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2014 | 02h01

No Conselho Europeu, que será realizado hoje e amanhã, Hollande lançará sua ofensiva, não contra Merkel - que ele admira -, mas contra a Europa de Merkel. Mas ele não sairá sozinho da trincheira. Estará acompanhado por vários dirigentes "social-democratas" europeus, e principalmente pelo "fenômeno político" do ano, o italiano Matteo Renzi.

O ex-prefeito de Florença, que ascendeu ao cargo de primeiro-ministro da Itália apunhalando seu companheiro do partido radical, Enrico Letta, é exatamente o contrário de Hollande. Muito jovem, em poucos meses, Renzi provocou uma deflagração na Itália. Nas eleições europeias, que foram o calvário de Hollande, obteve 40% dos votos em seu país. Como se não bastasse, todos os outros partidos reconheceram sua força.

Qual é o objetivo dessa associação à qual se unem outros dirigentes europeus de esquerda? Muito simples: "Mudar a Europa". Excelente ideia! A situação desastrosa em que a Europa de Bruxelas está atolada justifica a ambição de Renzi e de Hollande.

Entre todas as grandes zonas econômicas, a Europa incontestavelmente deixou de existir. Logo, Renzi e Hollande receberiam a aprovação geral quanto ao seu intento. Mas, e quanto às suas receitas? Eles pretendem arrancar o Velho Continente da austeridade imposta por Merkel ao seu próprio país, e que, há três anos, ela ministra como purgante a todo o continente europeu, principalmente quando o país visado é ao mesmo tempo europeu e "do sul".

Rejeitar a austeridade significa inaugurar uma política de estímulo e de investimentos. Hollande insistirá na urgência de tornar mais branda a ortodoxia orçamentária imposta por tratados europeus absurdos, e pretenderá estabelecer como principal prioridade o crescimento e a guerra ao desemprego.

Sem querer ironizar, admitamos que é um tanto cômico ver um dirigente como Hollande apresentar-se como o defensor do crescimento e do emprego, enquanto em seu país, há dois anos, ele obtém resultados lastimáveis.

Hollande e Renzi estão convencidos de que os desempenhos fracos são explicados pela fixação na austeridade e as inúmeras regras comunitárias que cortam as asas à inovação, à imaginação. Detalhe: a partir do dia 1.°, a União Europeia será presidida por seis meses pela Itália. Aguardamos impacientes. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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