REUTERS/Ronen Zvulun
REUTERS/Ronen Zvulun

Mudar embaixada para Jerusalém não é tão simples, diz Bolsonaro em entrevista a TV

Presidente reconhece as dificuldades envolvidas no possível traslado da representação diplomática brasileira de Tel-Aviv para a Cidade Santa e promete viajar para 'região do Oriente Médio no segundo semestre' onde tratará desta questão

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 09h51

JERUSALÉM - O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, reconheceu na noite de segunda-feira, 1º, que mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém não é “tão simples”, e afirmou, em entrevista à TV Record durante viagem ao Estado judeu, que a questão tem sido conversada com o mundo árabe e será levantada em viagem a países do Oriente Médio no segundo semestre.

“Eu fiz uma promessa de campanha e obviamente eu vi depois as dificuldades, não é uma coisa tão simples assim”, disse Bolsonaro na entrevista.

“O Binyamin Netanyahu (premiê de Israel) obviamente gostaria que eu transferisse, mas nós temos conversado com o mundo árabe, porque o Brasil é um país de todos, tem todo mundo lá dentro, e nós buscamos conversar com essas pessoas, conversar com embaixadores. Vamos fazer uma viagem para a região do Oriente Médio no segundo semestre... e essa questão será colocada na mesa, para chegar num diálogo, num entendimento, para não termos problema de parte a parte”, acrescentou.

No domingo, Bolsonaro anunciou a abertura de um novo escritório de negócios do Brasil em Israel na cidade de Jerusalém, em aparente recuo de sinais anteriores de que iria seguir os passos dos Estados Unidos transferindo a embaixada brasileira para a cidade.

A proposta original de Bolsonaro de transferir a embaixada irritou a comunidade árabe, e importantes autoridades brasileiras recuaram do plano por medo de prejudicar os laços com países árabes e comprometer bilhões de dólares em exportações de carne halal.

Segundo o presidente, a abertura do escritório de negócios foi “mais um passo” na questão da embaixada, mas Bolsonaro reconheceu ser “um simbolismo apenas”. De acordo com o governo brasileiro, o escritório de negócios não será uma representação diplomática, mas a medida irritou a comunidade palestina.

Segundo Ibrahim Alzeban, embaixador palestino em Brasília, “está em consideração” sua convocação para voltar aos territórios palestinos em reação à visita de Bolsonaro. “Segundo fui comunicado, vai depender da evolução da visita (a Israel)”, disse. “Gostaríamos que não se houvesse tocado no tema de Jerusalém.”

Israel tem há muito considerado Jerusalém inteira como sua capital eterna e indivisível, enquanto os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado que buscam estabelecer em território tomado por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Bolsonaro afirmou que o ponto máximo da visita a Israel, que se encerra na quarta-feira, foi uma aproximação com o governo israelense, em especial com o primeiro-ministro Netanyahu, com quem visitou o Muro das Lamentações, o local de oração mais sagrado do judaísmo.

Laços comerciais 

Nesta terça-feira, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, disse que Bolsonaro está disposto a receber diplomatas de países árabes e do entorno, em especial devido às relações de comércio “muito intensas” do Brasil com o mundo árabe.

“É muito importante que tenhamos relações comerciais com um amplo espectro de países. Nós sabemos que as questões dos países árabes estão relacionadas com o ministério da ministra Tereza Cristina (Agricultura). Temos como uma das nossas principais pautas do mercado a venda externa àquela área”, afirmou.

Rêgo Barros aproveitou para tecer elogios ao trabalho da ministra. "Teresa Cristina tem se mostrado técnica especialíssima e foi uma grande aquisição do nosso governo. Jair Bolsonaro acertou mais sete tiros nas bolas, dizemos que é o 10 olímpico", disse em referência a uma atividade de tiro que o presidente desempenhou na segunda em Israel.

O porta-voz também foi questionado sobre a companhia de Netanyahu à visita ao Muro das Lamentações. "Trata-se de uma oração do nosso presidente em um ambiente em que a energia é extremamente positiva e assim consideramos. Não há qualquer aspecto político envolvido naquela ida do nosso presidente com o rabino e com o nosso presidente e com o ministro Netanyahu", garantiu - Netanyahu está reta final de campanha para eleições parlamentares no próximo dia 9.

Segundo ele, trata-se de um ambiente "energético" e o presidente estava "se sentindo bem". "Fomos muito bem recebidos, fatos históricos foram explicados, o presidente saiu de lá bastante satisfeito", relatou. "As razões da ida do presidente estão vinculadas ao aspecto religioso e emocional. Da parte do nosso presidente, ele foi ao local com fulcro religioso." / REUTERS, COM CÉLIA FROUFE, ENVIADA ESPECIAL A JERUSALÉM

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.