Mudou o perfil alimntar dos jovens

Um estudo feito pela empresa Sodexho em 11 países apontou mudanças no perfil de crianças e adolescentesquanto à alimentação, o que deverá provocar alterações neste mercado quanto ao oferecimento de produtos e serviços paraesse público.A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira em São Paulo pela empresa, que é a principal do setor de alimentação para o mercado deeducação em todo o mundo, com faturamento de R$ 17 bilhões entre 1999 e 2000. O estudo foi feito nos eguintes países: Bélgica, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Inglaterra e EstadosUnidos - que, juntos, somam 55% do PIB mundial.A faixa etária escolhida foi a das pessoas entre 5 anos e 17 anos, da classe média."Essa classe imita o padrão da classe A e serve de modelo para a classe C, por isso a escolhemos", explicou Plínio deOliveira, diretor-geral da empresa no Brasil. A pesquisa apontou o surgimento da primeira geração de individualistas, ou seja, crianças e jovens hoje comem o que querem,na hora e nos lugar em que desejam.Os hábitos alimentares são bem diferentes entre meninos e meninas, o que levou a umsurgimento de padrões alimentares masculino e feminino.Essa diferença foi apontada ao se analisarem as despesas comalimentação, o tempo gasto nas refeições, o consumo de calorias, o número de itens (bebida, salada, entrada, prato principal,sobremesa) por refeição, a análise que cada um dos sexos faz com relação aos benefícios da alimentação e os tipos dealimentos consumidos. Nos anos 60, apenas 24,6% das crianças e jovens comiam tudo o que queriam, contra 86,4% hoje. Estados Unidos e Canadá registram os maiores índices nesse quesito (mais de 90%), enquanto o Brasil ficou com 63%, contra 24,6%, nos anos 60.Os hábitos alimentares são diferentes entre os sexos: 63% dos jovens querem comer como outros do mesmosexo, contra 41,6% há 40 anos. No Brasil, a porcentagem é de 64,2%.O desejo por diferentes tipos de comida entre meninose meninas na escola é muito grande nos países do centro e do sul da Europa e no Brasil, onde as diferenças entre homens emulheres são mais marcantes do que nos países do norte da Europa e de cultura anglo-saxônica.As meninas apontaram a necessidade de se alimentar de forma nutricional eficiente, relacionando a comida com manutençãode saúde. No entanto, elas limitam as quantidades de alimentos, preocupadas com a forma física, e também os horários pararefeições.Já os meninos dão mais importância ao sabor da comida e ingerem alimentos em grandes quantidades. Isso é uma forma de auxiliar não só o crescimento, mas também melhorar o status social, por conta da imagem de força física e saúde.Buscam alimentos simples de ingerir e rápidos de serem assimilados, que dêem sensação de saciedade e correspondam a seu modo agitado de vida. Esses fatores são importantes para projetar e entregar serviços de alimentação de maneira bem sucedida em escolas,colégios e universidades. O mercado global de serviços de alimentação no setor educação, público e privado, é avaliado em R$72 bilhões, sendo que 70% dele se concentra no Brasil, Estados Unidos, Reino Unidos, França e Japão.O mercado nacionalé estimado em R$ 4,2 bilhões, sendo que 58% dele está nas mãos do setor público e 44% são terceirizados. "Como os meninos têm tendência a se alimentar mais, com menos seletividade, o mercado tende a oferecer produtos paraeles", explicou Caio Gouveia, diretor operacional da Sodexho."As meninas restringem muito suas opções porque nãoencontram produtos para elas, e esse desequilíbrio pode fazê-las tomar medidas mais drásticas e acarretar problemas desaúde. Deve haver disponibilidade de produtos e serviços para ambos, de acordo com suas características", completou.Os meninos gastam mais com alimentação fora de casa, com 23,2% em nível mundial (38,7% no Brasil) contra 7,4% dasmeninas (21,6% no País).Garotas tendem a limitar o tempo durante o almoço e o jantar, gastando 25% a menos de temponas três refeições se comparadas aos meninos. Em compensação, passam 50% mais tempo tomando café da manhã doque os meninos.No Brasil, as meninas consomem 81,6% de frutas, 76,3% de legumes, 56,4% de salada e 44,7% de peixes amais do que os garotos. Eles ingerem 84,5% de arroz, 83,6% de carne e 53,9% de ovos a mais do que as garotas. O consumo diário de calorias por criança está caindo nos últimos 40 anos, sendo que os garotos ingerem 55,8% de caloriasa mais do que as meninas. Com o passar dos anos, as mulheres tendem a reduzir ainda mais esse consumo e entre garotasde 10 a 17 anos , 73% declararam ter feito um regime nos últimos doze meses.O estudo ressaltou que este fato reflete acrescente tendência das meninas de intencionalmente limitar a quantidade de comida. Por outro lado, houve um aumento nonúmero de meninos obesos, que, nos Estados Unidos, por exemplo, foi de 60%. "Os adolescentes conhecem suas necessidades, mas não sabem administrar suas preferências", avaliou Marina Vieira daSilva, coordenadora do curso de Ciências dos Alimentos da Universidade de São Paulo (USP).A moda da dieta, apontada napesquisa de forma indireta, mostra um erro conceitual da palavra. "Vimos isso nas publicações femininas, que têm conteúdoonde sempre é indicada a restrição, e a dieta é vista como um tratamento e não como hábito alimentar", afirmou. Mesmo os livros escolares não retratam da melhor maneira a nutrição, segundo ela. "Fizemos uma pesquisa em que livrosapresentavam fotos com marcas de produtos e modelo alimentar muitas vezes não adequados", contou.Ela apontou tambémque regiões diferentes não podem ser tratadas de forma igual. O fato de as crianças e jovens decidirem com mais freqüênciasobre sua alimentação deve ser acompanhado pela família e pela escola. Segundo Kelva de Aquino, nutricionista do Ministério da Saúde, o governo tem uma equipe técnica que está iniciando umtrabalho com as universidades para colocar a nutrição no currículo escolar, que hoje é tratada de forma indireta em diversasdisciplinas."Também temos uma grande preocupação com os produtos em relação à rotulagem, que deve informar oconsumidor sobre o que está comprando", disse.

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