REUTERS/Carlo Allegri
REUTERS/Carlo Allegri

Mueller continua apertando o cerco à cúpula de Trump

De todos os funcionários da campanha de Trump, Manafort era quem tinha as maiores conexões pessoais e profissionais com a Rússia

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2018 | 05h00

Paul Manafort vai para a cadeia, e os parafusos que o estão pressionando para revelar qualquer informação prejudicial que ele tenha sobre o presidente Trump ficaram ainda mais apertados.

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A moção para revogar a fiança de Manafort diz algo sobre o conselheiro especial Robert S. Mueller III: ele leva muito a sério seu caso contra Manafort, que enfrenta acusações em tribunais federais no Distrito de Columbia e no estado da Virginia.

É sabido que Mueller está tentando deixar Manafort o mais desconfortável possível, na esperança de que o ex-chefe de campanha troque a sujeira do presidente por clemência. Essa é a visão do juiz do caso na Virginia, T.S. Ellis III, que disse aos promotores no mês passado: “Vocês não se importam com as fraudes bancárias do senhor Manafort. Vocês se importam em obter informações que o senhor Manafort possa lhes dar, que esbarrem no senhor Trump e levem à sua acusação ou impeachment.”

A existência de tal informação está longe de ser certa. Mas enquanto Mueller analisa a possibilidade de que a campanha de Trump tenha sido facilitada pela interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016, Manafort é uma peça importante no caso. Vou repetir o que a jornalista Amber Phillips, do blog político The Fix, me disse na semana passada: “Além do presidente ou de sua família, talvez não exista peixe maior que Manafort na investigação. Não está claro o que Manafort sabe, mas ele parece ser um alfinete entre a campanha de Trump e a Rússia.”

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Ele estava naquela reunião na Trump Tower durante a campanha, aquela em que especialistas jurídicos disseram que talvez tenha passado dos limites quanto às conspirações com a Rússia. Estava liderando a campanha de Trump enquanto a intromissão russa aumentava. E de todos os funcionários da campanha de Trump, Manafort era quem tinha as maiores conexões pessoais e profissionais com a Rússia.

Em pleno ano eleitoral, Manafort se reuniu na Trump Tower com um advogado russo que divulgou informações comprometedoras sobre Hillary Clinton, o que indica uma disposição do governo para coordenar com a Rússia. Donald Trump Jr. e Jared Kushner, genro do presidente, também compareceram.

Segundo a equipe de Trump, o presidente não sabia sobre a reunião, e as informações fornecidas pelo advogado russo não se mostraram úteis. É verdade? A reunião foi um incidente isolado? Manafort está bem posicionado para responder essas questões.

Parece que Mueller, que ameaçou intimar o presidente, está jogando duro com pessoas próximas a Trump. / W. POST

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