Yuri Gripas / Reuters
Yuri Gripas / Reuters

Mueller entrega relatório sobre conluio de campanha de Trump com Rússia

Procurador especial entrega relatório sobre conluio com russos para secretário de Justiça, que decide quais informações serão públicas

Beatriz Bulla, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 20h20

O procurador especial Robert Mueller concluiu a investigação que apura se houve conluio com a Rússia durante as eleições presidenciais que fizeram o presidente Donald Trump chegar à Casa Branca. O relatório confidencial foi entregue ao secretário de Justiça, William Barr, que irá decidir quais informações tornará públicas. Em carta aos parlamentares, Barr afirmou que poderiam compartilhar informações nos próximos dias.

As primeiras informações vazadas por fontes do Departamento de Justiça dos EUA sobre o relatório do procurador especial é que não há novos indiciamentos. Em princípio, é uma boa notícia para Donald Trump Jr., filho do presidente, e Jared Kushner, genro de Trump – ambos se reuniram com agentes russos durante a campanha eleitoral, em 2016.

Mas, segundo analistas, é cedo para concluir que o texto isente qualquer pessoa ligada a Trump. Os investigadores poderiam ter encontrado, por exemplo, indícios de outros crimes que mereçam ser investigados. De olho na possibilidade, os democratas já se articulam para receber – além do texto completo – os documentos obtidos pela equipe de Mueller durante as investigações. 

As investigações de Mueller atingiram assessores diretos do presidente, como o ex-advogado de Trump, Michael Cohen, e seu ex-chefe de campanha, Paul Manafort. A expectativa sobre o relatório final é saber a avaliação do procurador especial sobre a eventual participação de Trump em um conluio com os russos durante as eleições de 2016. O presidente americano costuma classificar a investigação como uma perseguição política e nega ter participado de um conluio.

Além da possível implicação criminal, a conclusão da investigação de Mueller pode ser usada pela oposição para abrir um processo de impeachment contra o presidente. Entre os fatos que foram investigados por Mueller estão, por exemplo, a construção de uma Trump Tower em Moscou; a influência dos russos na eleição de 2016 e o vazamento de e-mails da adversária de Trump em 2016, a democrata Hillary Clinton. O procurador especial também investigou se Trump agiu para tentar obstruir a investigação.

No Twitter, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, divulgou uma nota na qual afirma que ainda não recebeu nenhuma informação sobre o conetúdo do relatório. “Os próximos passos serão do secretário de Justiça Barr, e esperamos que o processo tome seu curso. A Casa Branca não recebeu ou foi brifada sobre o relatório”, escreveu Sarah.

Os democratas não querem que a Casa Branca tenha acesso a prévias do relatório. Em comunicado conjunto, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder do partido no Senado, Chuck Shumer, pedem a transparência do documento. “A investigação focou em questões relacionadas a integridade da nossa democracia: se poderes externos interferiram de forma corrupta nas nossas eleições, e se meios ilegais foram usados para dificultar as investigações. O povo americano tem o direito de saber a verdade”, escrevem os parlamentares.

Já o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, defendeu que o secretário de Justiça tenha “tempo” para analisar o material. “Sou grato por termos um secretário de Justiça capaz e experiente para analisar o relatório. Secretário de Justiça Barr agora precisa de tempo para fazer isso”, afirmou o republicano.

Em depoimento ao Senado em fevereiro, Michael Cohen, afirmou que o presidente tinha ciência de três atos que estão no foco da investigação criminal de suposta interferência russa nas eleições de 2016 e violação das regras de financiamento de campanha. Segundo o advogado, o presidente sabia do encontro de um dos seus assessores, Roger Stone, com representantes do WikiLeaks durante a campanha presidencial. 

Cohen afirmou que Trump sabia da divulgação dos e-mails internos do comitê democrata, divulgados pelo Wikileaks, antes de eles se tornarem públicas. Há suspeita de que as mensagens foram obtidas por hackers russos. O ex-advogado foi um dos assessores mais próximos de Trump desde 2007 e, aos parlamentares, também disse que Trump soube e orientou as negociações para a construção de uma Trump Tower em Moscou durante a campanha de 2016. Trump nega as acusações e refuta interesse em negócios com a Rússia durante a eleição.

Apesar de democratas estarem no controle da Câmara, a maioria republicana no Senado é uma trava para o pontapé de um processo para remover o presidente. As eleições legislativas dos EUA em 2018 fizeram com que a Câmara dos Deputados passasse para as mãos dos democratas, hoje maioria.

No Senado, no entanto, os republicanos continuam na maioria e a Casa se tornou mais conservadora – o que favorece Trump.  Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, o processo de impeachment precisa passar primeiro pela Câmara e depois pelo Senado. A maioria simples dos deputados precisam votar a favor do impeachment e, depois, dois terços do senado devem aprovar a remoção do presidente para que ele saia do cargo.

 

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