Mugabe acusa líder opositor de traição ao Zimbábue

Governo afirma que aliança de Tsvangirai com premiê britânico pretende recolonizar o país africano

Agências internacionais,

17 de abril de 2008 | 10h12

O governo do Zimbábue acusou nesta quinta-feira, 17, o líder da oposição Morgan Tsvangirai de "traição" por conspirar com a ex-potência colonial britânica para derrubar o regime do presidente Robert Mugabe. A afirmação do ministro da Defesa Patrick Chinamasa, é baseada numa suporta carta do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Na quinta, ele chegou a afirmar que "ninguém acredita" que Mugabe tenha vencido as eleições. "Uma votação roubada não pode ser uma eleição, definitivamente", acrescentou o premiê, segundo o jornal The Guardian.   Chinamasa afirmou que o líder da oposição quer uma intervenção militar para impor a sua vitória no pleito presidencial de 29 de março, cujos resultados ainda não foram divulgados. "Se vê claramente que Tsvangirai e Brown querem uma mudança de regime ilegal no Zimbábue e isso é uma traição por parte de Tsvangirai ", disse o ministro ao jornal do governo The Herald. "Há conseqüências inevitáveis quando se trata de um traidor", advertiu. O líder opositor afirmou que a acusação é "ultrajante".   O jornal cita uma carta do primeiro-ministro britânico, que a oposição afirma que é forjada. "A correspondência afirma que Tsvangirai não está só e trabalha para o interesse britânico de recolonizar o Zimbábue", conclui. O ministro da informação, Sikhanyiso Ndlovu, assinalou que a carta mostra que "Tsvangirai é uma marionete dos britânicos de Gordon Brown.".   A acusação contra a oposição surge ao mesmo tempo que o governo promove uma campanha de prisões, invasões de casas e outros meios de intimidação para suprimir dissidentes políticos que no dia 29 de março votaram em Mugabe. Após três semanas do pleito, nenhum resultado foi divulgado.   Mugabe, de 84 anos, assumiu o poder há 28 anos, quando o país vivia uma onda de otimismo graças à conquista de sua independência do Reino Unido. Porém, nos últimos anos o país foi castigado com as maiores taxas de inflação do mundo, além da escassez de comida e combustível, o que fez com que muitas pessoas passassem para o lado da oposição.

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