Mugabe diz que não abrirá mão de vitória eleitoral

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse nesta segunda-feira que não abrirá mão da vitória de seu partido nas eleições nacionais, apesar das acusações feitas pela oposição de manipulação de votos.

AE, Agência Estado

12 de agosto de 2013 | 09h57

Em seu primeiro discurso público desde a votação de 31 de julho, Mugabe disse que a nação do país escolheu seus representantes de forma livre. "Nós estamos entregando a democracia de bandeja. Nunca vamos ceder nossa vitória".

As eleições do Zimbábue deram a Robert Mugabe 61% dos votos na disputa presidencial. Já o segundo lugar, com 34% dos votos, ficou com o primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, que questiona os resultados da eleição na Justiça e alega uma fraude generalizada.

Falando na língua local e usando frases coloquiais que ele não adota quando se pronuncia em Inglês, Mugabe pediu que Tsvangirai aceite a derrota.

"Aqueles que estão sofrendo com a derrota podem cometer suicídio, se assim o desejarem. Mas eu lhes digo que nem mesmo os cães vão cheirar a carne, se eles optarem por morrer dessa forma", disse ele.

O presidente também descreveu Tsvangirai como o "inimigo". "Nós jogamos o inimigo fora como lixo. Eles dizem que nós manipulamos, mas são eles os ladrões" por causa da corrupção durante o seu tempo no governo.

Os comentários de Mugabe foram feitos em um encontro do Dia dos Heróis, que celebra guerrilheiros mortos durante a guerra da independência em 1980.

Nesta segunda-feira, Tsvangirai também se manifestou sobre os resultados das urnas. Em uma mensagem a seus partidários, Tsvangirai disse que os zimbabuanos ainda estão "chocados com a forma descarada em que seus votos foram roubados".

"Muitos filhos e filhas deste país sacrificaram suas vidas... e um dos direitos fundamentais pelo qual eles trabalharam e morreram foi o direito ao voto", disse ele.

O partido ZANU-PF, de Mugabe, ganhou 158 assentos do Parlamento, contra 50 do Movimento para a Mudança Democrática. Mugabe acusa os oposicionistas de receberem dinheiro e apoio do Reino Unido, Estados Unidos e outras nações ocidentais.

Órgãos africanos de monitoramento eleitoral aprovaram de maneira cautelosa a votação, mas ainda estão compilando o relatório final. A Comunidade Sul-Africana de Desenvolvimento, um bloco político e econômico regional, julgou a votação como pacífica e com credibilidade, mas ainda não a pronunciou como justa. Fonte: Associated Press.

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