Mugabe diz que negociará apenas após 2.º turno presidencial

Oposição afirma não haverá diálogo caso presidente se declare vencedor; número dois do partido é libertado

Efe,

26 de junho de 2008 | 13h33

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, assegurou nesta quinta-feira, 26, que está aberto para negociar com o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) de Morgan Tsvangirai, mas insistiu em que "primeiro deve ocorrer o segundo turno" das eleições presidenciais previstas para esta sexta-feira.  Veja também:Oposição dá últimato a Mugabe por negociações Mandela condena 'fracasso' do regime de MugabeLeia artigo de Morgan Tsvangirai Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos Mugabe manifestou sua disposição em dialogar com Tsvangirai durante uma manifestação pública da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), cujas milícias lançaram uma campanha de ataques e intimidação contra os simpatizantes do MDC, que levou o líder opositor a sair da disputa eleitoral. Morgan Tsvangirai disse em entrevista ao jornal britânico The Times que "não haverá negociações" se Mugabe, "se declarar vencedor" no segundo turno. Em declarações por telefone a partir da Embaixada da Holanda em Harare, onde está refugiado desde domingo passado, Tsvangirai levantou a questão sobre como esperar que a oposição negocie caso Mugabe diga que ganhou "e se considere presidente" para um novo mandato. Fazendo uma mensagem direta a Mugabe, Tsvangirai disse: "Você se recusou a falar comigo na época, como pode falar comigo agora? Eu fiz esta oferta, eu dei esta abertura, eu lhe disse que negociaria antes das eleições e não depois, porque não é sobre eleições, é sobre transição". Tsvangirai anunciou no domingo passado a desistência das eleições, após alegar que participar da disputa significava "agressões físicas e até a morte para os simpatizantes do MDC". No entanto, a Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC) rejeitou a retirada de Tsvangirai e determinou que as eleições devem ir adiante. O opostiro impôs também, como condição para falar com Mugabe, a libertação de cerca de 2 mil presos políticos que o regime de Harare mantém na prisão. Libertação sob fiança Pelo menos um desses prisioneiros, o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, foi libertado nesta quinta, sob uma fiança de um trilhão de dólares zimbabuanos (US$ 100), segundo afirmou o seu advogado, Lewis Uriri. Biti foi detido e acusado de fraude eleitoral, subversão, injúrias ao Presidente Mugabe e traição pelas autoridades zimbabuanas, e caso seja considerado culpado, pode ser condenado à pena de morte. Como parte das condições para sua libertação, o político opositor terá que entregar também seu passaporte, a escritura de propriedade de sua casa e apresentar-se uma vez por semana perante a polícia em Harare. Por sua parte, o porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, comemorou a libertação de Biti, embora tenha duvidado se tratar de um "abrandamento" por parte das autoridades. "É uma boa notícia que Biti tenha sido libertado, é bom tê-lo novamente conosco e contribuindo com a luta pela democracia. Mas não acho que isso signifique que Mugabe suavizou sua atitude frente à oposição. O que ocorre é que a Justiça não conseguiu demonstrar sua culpabilidade", disse Chamisa.  As acusações contra Biti foram feitas depois que ele divulgou os resultados do primeiro turno das eleições ,em 29 de março passado, quando disse em entrevista coletiva que seu partido havia sido vencedor. Segundo a legislação do Zimbábue, a Comissão Eleitoral do país é o único organismo que pode anunciar os resultados do pleito. Biti também criticou abertamente Mugabe em numerosas ocasiões, acusando o presidente de querer se manter no poder por todos os meios.

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