Mugabe é acusado de intimidar rivais

ONG diz que funcionários do governo do Zimbábue forçaram partidários da oposição a engolir cartazes eleitorais

Mark Tran, The Guardian, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2008 | 00h00

Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram ontem aliados do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de tentar intimidar opositores antes da eleições nacionais de sábado fazendo alguns deles mastigarem e engolirem cartazes de campanha. A Anistia Internacional diz que foi informada do caso no dia 7 de março. Três membros do opositor Movimento pela Mudança Democrática (MMD), do candidato Morgan Tsvangirai, teriam recebido ordens de funcionários do serviço de informações do governo para retirar os pôsteres de campanha que eles estavam colocando nas ruas - e em seguida engoli-los. "Continuamos a receber relatos de intimidação e violência contra todos que são identificados como partidários de candidatos da oposição", diz o pesquisador da Anistia Internacional do Zimbábue Simeon Mawanza. "Em muitas regiões rurais há o temor de que haja revanche depois da eleição." Os EUA também expressaram sua preocupação com a imparcialidade da votação de sábado. Mugabe enfrentará dois candidatos com chance de vitória - Tsvangirai e Simba Makoni, que rompeu com o Zanu-PF, partido do presidente, para concorrer como independente. "Nós solicitamos ao governo do Zimbábue e ao comitê eleitoral do país que tome medidas concretas para garantir o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais do povo zimbabuano", diz um comunicado do Departamento de Estado dos EUA. Os EUA, que impuseram sanções a Mugabe e a seus colaboradores por ele ter supostamente fraudado sua reeleição em 2002, foram impedidos de enviar observadores à votação. Como também não foram convidados observadores da União Européia, a eleição será monitorada apenas pela União Africana e representantes da China, Irã, Rússia e Brasil (leia abaixo). Tanto o MMD como Makoni acusam Mugabe e seu partido de tentarem fraudar a votação, empregando os serviços de segurança para intimidar os eleitores e privando a oposição de espaço na mídia. "Definitivamente, essas não são as condições necessárias para eleições livres e imparciais", disse o secretário-geral do MMC, Tendai Biti, à agência de notícias France Presse. "Nossos simpatizantes continuam a ser importunados e a polícia está sendo usada como arma de intimidação." A oposição e os grupos de defesa dos direitos humanos estão particularmente preocupados com a decisão do governo de permitir a presença da polícia dentro das seções eleitorais para "ajudar" eleitores analfabetos ou indecisos a votarem. Ainda ontem, o coordenador da campanha de Makoni, Nkosana Moyo, anunciou que os dois candidatos de oposição a Mugabe deverão se unir caso consigam levar o presidente para o segundo turno. "Isso seria automático", disse Moyo durante uma entrevista em Johannesburgo, na África do Sul. "Os zimbabuanos querem sobretudo acabar com os desmandos de Mugabe, então qualquer arranjo político futuro terá o presidente de um lado e todo mundo do outro"

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