Mugabe enfrenta condenação internacional em cúpula africana

Após farsa eleitoral, líderes reunidos no Egito defendem diálogo entre o presidente do Zimbábue e a oposição

Agências internacionais,

30 de junho de 2008 | 07h43

O presidente do  Zimbábue, Robert Mugabe, enfrentará nesta segunda-feira, 30, a condenação internacional da eleição que garantiu a sua reeleição no final de semana. Ele participará da cúpula da União Africana (UA) que começou no balneário egípcio de Sharm el Sheik. O líder zimbabuano, que está há 28 anos no poder, tomou posse no domingo após vencer o pleito de sexta-feira, boicotado pela oposição e fortemente denunciado pela escala de violência exercida pelo governo contra opositores.   Veja também: ONU pede à União Africana solução negociada para o Zimbábue Fazendeiro que denunciou terror é seqüestrado Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe: uma história de 3 décadas no poder   Líderes da UA pretendem pressioná-lo a formar um governo de coalizão com o líder oposicionista Morgan Tsvangirai. Os EUA, o Canadá e outros países ocidentais anunciaram que preparam sanções diplomáticas e comerciais contra o regime de Mugabe. Durante discurso, o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, pediu para que o grupo "assuma a responsabilidade sobre a crise política no Zimbábue". Enquanto Ping discursava, Mugabe entrou discretamente na sala e sem cumprimentar ninguém, se dirigiu ao assento reservado para os representantes do país. Ping comparou ainda a crise no Zimbábue com a ocorrida há alguns meses no Quênia, e assinalou que Harare deve mostrar que é capaz de "empreender uma cultura democrática".   Mugabe, ex-herói da independência do país e responsável pela crise humanitária enfrentada pela situação, foi empossado no domingo, depois que a comissão eleitoral anunciou sua vitória com mais de 80% dos votos. No discurso de posse, Mugabe propôs conversações com a oposição. "Tenho a esperança de que realizaremos consultas entre os partidos políticos de diferentes opiniões para instaurar um diálogo sério que supere nossas diferenças", declarou.   Num duro golpe para Mugabe, a missão de observadores da Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África declarou ainda no domingo que a eleição "não reflete a vontade do povo" do Zimbábue. "O ambiente (de violência) manchou a credibilidade do processo eleitoral", afirmou o grupo - que outrora apoiava Mugabe - num comunicado. Observadores do Parlamento Pan-Africano disseram que a eleição deveria ser realizada novamente.   Tsvangirai reagiu dizendo que Mugabe está em posição de fraqueza. "Ele não tem opção a não ser negociar", disse Tsvangirai, que retirou sua candidatura dias antes da eleição de sexta-feira, em meio a uma campanha de intimidação e violência contra opositores. "Ele está em má situação."   O presidente do Zimbábue está no Egito com outro chefes de Estado africanos, inclusive alguns dos que criticaram a realização do segundo turno mesmo com a saída da oposição e que condenaram a onda de violência contra opositores. Tsvangirai afirma que 90 membros da oposição foram assassinados e pede que os líderes africanos não reconheçam o novo mandato de Mugabe.   Tsvangirai, cujo partido obteve maioria no Parlamento em março, havia conquistado mais votos que Mugabe no primeiro turno presidencial, mas sem obter maioria, segundo o resultado oficial. Cinco dias antes do segundo turno, ele se retirou da disputa e se refugiou na embaixada holandesa, afirmando que a violência do governo punha em risco seus eleitores e o impedia de concorrer.

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