Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Tsvangirayi Mukwazhi/AP

Mugabe ganhou imunidade para renunciar à presidência do Zimbábue

O ex-presidente que governou o país por 37 anos negociou imunidade para garantir segurança e poder continuar morando no país

O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2017 | 05h00

O ex-presidente do Zimbábue Robert Mugabe, de 93 anos, recebeu imunidade contra possíveis processos – por crimes cometidos durante seus 37 anos no poder – e a garantia de que sua segurança será preservada em sua residência no interior do país, como parte de um acordo que levou à sua renúncia.

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Mugabe comandou com mão forte o Zimbábue desde sua independência, em 1980, mas renunciou na terça-feira depois que o Exército tomou o poder e o partido governista se voltou contra ele. O estopim da crise foi o afastamento do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que abriria caminho para que Grace, mulher do ditador, assumisse o poder. 

Uma fonte do governo afirmou que Mugabe disse aos negociadores que deseja morrer no Zimbábue e não planeja viver no exílio. “Foi muito comovente para ele. Mugabe foi enfático a esse respeito”, disse a fonte, que não está autorizada a revelar detalhes do acordo negociado. “Para ele, era muito importante que lhe garantissem segurança para ficar no país, embora isso não vá impedi-lo de viajar ao exterior quando quiser ou precisar”, afirmou a fonte.

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A imagem de Mugabe se transformou com o tempo. Inicialmente, ele era visto como um herói da independência. No entanto, com o passar dos anos, passou a ser acusado de recorrer à fraude eleitoral, à violência e à repressão contra os opositores para se manter no poder.

Em 2008, 200 partidários do grupo opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) foram assassinados e milhares de pessoas foram torturadas em uma onda de violência que deixou o país em uma profunda crise política. Na época, Mugabe afirmou que “só Deus” poderia afastá-lo do governo. Em 2015, ele afirmou em discurso que pretendia governar até os 100 anos. “Teremos de criar uma cadeira de rodas especial para o meu marido, porque ele não deixará a presidência tão cedo”, disse a primeira-dama recentemente. / REUTERS e EFE

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