Mugabe lança campanha à reeleição em festa de aniversário

O presidente do Zimbábue,Robert Mugabe, comemora seu aniversário de 84 anos com umenorme comício neste sábado, no qual deve lançar oficialmentesua campanha à reeleição. Mugabe, no poder desde a independência do país daGrã-Bretanha, em 1980, quer mais cinco anos de mandato paraaumentar seu controle no país africano. O Zimbábue estámergulhado numa crise econômica marcada por inflação de mais de100 mil por cento e escassez crônica de alimentos ecombustíveis. O líder de 84 anos enfrenta um sério oponente em seuex-aliado e ex-ministro da economia Simba Makoni, que prometeureverter a situação econômica do país caso seja eleito em 29 demarço. Morgan Tsvangirai, líder da principal facção dooposicionista MDC (Movimento para a Mudança Democrática),também é candidato à presidência. Mugabe fez 84 anos na quinta-feira, mas comemora a datasábado em sua cidade natal, na fronteira com a África do Sul. Analistas afirmam que a festa vai dar o tom à campanhapresidencial de Mugabe, que concentrará forças contra Makoni,mais jovem que ele e cuja candidatura irritou Mugabe e oZANU-PF, partido do governo. Makoni, de 58 anos, foi expulso este mês do ZANU-PF, eMugabe comparou seu oponente a uma prostituta. Os críticos, incluindo Makoni, culpam Mugabe pelamá-administração que transformou o país sul-africano, prósperono passado, em um dos mais pobres da região. Milhões dezimbabuanos deixaram o país em busca de alimento e trabalho. "Desta vez, Mugabe não conseguirá blefar. Ele terá de falarsobre necessidades básicas, sobre como planeja restaurar aeconomia, que muita gente acredita ter entrado em declínio porcausa do governo dele", disse Johm Makumbe, conselho políticoanti-Mugabe. É provável que Mugabe continue atribuindo os problemaseconômicos do Zimbábue à sabotagem de países ocidentais, aosquais ele acusa de tramarem sua derrubada devido à política dedesapropriar fazendas de proprietários brancos e redistribuir aterra aos negros. O líder veterano diz que a Grã-Bretanha e seus aliadosestão tentando desestabilizar o Zimbábue antes da eleição aoenviar centenas de pessoas ao país sob o disfarce defuncionários de organizações não-governamentais. Os críticos dizem que a acusação é outra aposta de Mugabepara encobrir as falhas de seu governo numa eleição que podevir a ser um divisor de águas para o Zimbábue moderno. "Com Mugabe e o ZANU-PF no leme, o futuro é sombrio, vazio.Se Makoni pode mudar as coisas, ainda não se sabe. O que estáclaro é que, sob Mugabe, não há futuro," afirma editorial dosemanário Standard.

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