Mugabe limita salários de chefes de estatais no Zimbábue

Presidente quer conter descontentamento da população, diz ministro das Finanças

O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2014 | 17h25

HARARE - O governo do presidente Robert Mugabe cortou pagamentos e benefícios dos chefes de empresas estatais do Zimbábue. Segundo disse nesta quarta-feira, 19, o ministro das Finanças, Mugabe quer conter o descontentamento público sobre os altos salários dos executivos.

Patrick Chinamasa, ministro das Finanças do Zimbábue, disse que o gabinete de Mugabe concordou em limitar os salários e benefícios dos chefes de empresas estatais e de conselhos municipais em US$ 72 mil por ano.

Isso vai significar um grande corte para alguns executivos que estavam acumulando ganhos de mais de meio milhão de dólares por ano. Reportagens de jornais sobre os seus salários geraram indignação no país de população pobre, onde um funcionário do governo recebe em média US$ 370 por mês.

"Aos olhos do público, esses salários e benefícios exorbitantes não são apenas corruptos, mas obscenos", disse Chinamasa em uma declaração. "A indignação do público é justificada."

Uma lista de salários de todas as 180 estatais e dos conselhos estaduais e municipais fornecidos por Chinamasa mostra que muitos funcionários estavam sonegando impostos ao declarar salários básicos muito baixos e benefícios exorbitantes, que não são taxados.

Um plano médico que cobre empregados do governo estava pagando para o seu executivo-chefe um salário básico mensal de US$ 1,1 mil, mas cerca de US$ 16 mil por mês de benefícios, que não sofriam taxação.

Em uma rara demonstração de unidade, o partido de situação de Mugabe, Zanu-PF, e o de oposição, Movimento para Mudança Democrática, pediram que os piores casos sejam demitidos e presos por abusar dos cofres públicos.

No entanto, o Zimbábue ainda está classificado como um dos países mais corruptos do mundo. O site Local Media Report reporta rotineiramente que empresas estatais são assoladas por corrupção, incluindo o desrespeito a concursos para entregar contratos a parentes. /REUTERS

 
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