AP Photo/ Tsvangirayi Mukwazhi
AP Photo/ Tsvangirayi Mukwazhi

Mugabe não renuncia e diz que vai presidir a transição no Zimbábue

Sob pressão de militares, da população e do seu partido para renunciar, Mugabe fez um pronunciamento na TV estatal em que não admitiu deixar o poder, e afirmou que vai presidir o processo de transição no país

O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2017 | 17h48

Mesmo com pressão do seu partido, de militares e da população, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, não renunciou ao cargo. O ditador mais longevo do mundo, com 93 anos e há 37 anos no poder no Zimbábue, havia sido destituído da liderança de seu partido no sábado, e recebeu um ultimato para renunciar.

Mugabe fez um pronunciamento ao vivo na TV neste domingo, dia 19, mas não deixou o poder. Admitiu que há um processo em curso para “garantir a estabilidade do país”, mas disse que vai “presidir a transição” que vai levar às eleições presidenciais previstas para 2018. "Eu acredito que as questões que foram me trazidas vêm da vontade de garantir a estabilidade do país", disse, reforçando que a lei e a ordem do Zimbábue devem ser preservadas."Eu estou feliz que os pilares do estado permanecem funcionais", disse. "Há uma tradição de resistência, que é o nosso legado", concluiu.

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Mugabe se reuniu com os principais oficiais do exército do país na tarde desse domingo, 19, e fez o discurso na TV estatal em seguida. Durante o pronunciamento, também se referiu à economia do país, que está em uma "situação difícil". "Vamos inaugurar uma nova cultura de trabalho [...] que vai mudar a nossa economia".

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Mugabe foi afastado da presidência por um golpe militar levado a cabo na semana passada. No sábado, 18, ele foi destituído da liderança de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica, Zanu-PF, substituído por Emmerson Mnangagwa, o vice cuja demissão foi o estopim da crise que desencadeou o golpe militar. Mnangagwa também foi nomeado candidato.

 

 

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