Mugabe negocia possível transição com oposição, diz 'NYT'

Fontes opositoras confirmam que acordo foi alcançado e que Tsvangirai seria o vencedor das eleições

Agências internacionais,

01 de abril de 2008 | 08h54

Conselheiros do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, estão em negociações com o líder opositor, Morgan Tsvangirai, dando sinais de que o governante que ocupa a Presidência desde 1980 pode estar preparando a sua saída, segundo o jornal The New York Times afirma nesta terça-feira, 1. Segundo a BBC, fontes da oposição confirmam que um acordo já foi alcançado e que o partido seria o vencedor do pleito presidencial.   Veja também: Dúvida é se Mugabe aceitará veredicto Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos   As conversas seriam sobre uma possível transferência de poder de Mugabe após uma aparente conclusão da apuração das eleições. A renúncia de Mugabe, um dos líderes que comandaram por mais tempo um país na África, significa uma mudança significativa na direção do país em que o presidente é acusado de manipular constantemente as eleições para permanecer no poder. Mugabe teria recebido a informação de que está bem atrás de Tsvangirai na disputa pela presidência e haveria o risco de um levante se o presidente fosse eventualmente declarado reeleito.   Segundo um diplomata ocidental apontado pelo jornal, a oposição já está em negociações com militares do Zimbábue, com serviços de inteligência e prisionais. Os chefes do governo estão em negociações para estabelecer estruturas transitivas, afirmou John Makumbe, analista político. Um porta-voz de Tsvangirai, George Sibotshiwe, afirmou que não sabe de nada sobre possíveis encontros".   Fontes do partido governista Zanu-PF disseram nesta terça-feira que o dirigente oposicionista Morgan Tsvangirai ficou à frente do presidente na eleição presidencial de domingo, mas que os dois ainda deverão disputar um segundo turno. Sob anonimato, duas fontes disseram que as projeções mostram Tsvangirai com 48,3% dos votos, contra 43% de Mugabe. Um terceiro candidato, Simba Makoni, deve ficar com oito%. Haverá segundo turno se nenhum candidato alcançar 51%.   Nenhum resultado oficial foi divulgado desde o sábado. A oposição afirma que o governo estaria atrasando a divulgação dos números para manipular os resultados em favor de Robert Mugabe, líder do país há 28 anos que concorre à reeleição. De acordo com os dados divulgados nesta terça, o governante Zanu-PF, o partido de Robert Mugabe, no poder desde 1980, já obteve 53 cadeiras, seguido do opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC), dirigido por Morgan Tsvangirai, que alcançou 51 deputados. Mas uma facção dissidente do MDC, liderada por Arthur Mutambara, alcançou outras 5 cadeiras, por isso a oposição reúne conjuntamente 56 deputados dos 109 já oficialmente eleitos.   "O que isso significa é que estamos vendo uma repetição, porque ele (Tsvangirai) não ganhou com uma margem superior a 51%, que teria lhe dado o cargo diretamente", disse uma das fontes. A Rede de Apoio Eleitoral do Zimbábue também projeta vitória de Tsvangirai (49,4 a 41,8%) e a necessidade de um segundo turno. Nesse cenário, Makoni, ex-integrante do Zanu-PF, fica com 8,2%. Caso haja segundo turno dentro de três semanas, a oposição deve se unir contra Mugabe.   Um importante diplomata ocidental também disse à Reuters que deve haver segundo turno. "Podemos todos especular sobre o que eles (do Zanu-PF) fizeram ou deixaram de fazer. Mas quando se olha para algumas projeções de outros observadores, como a Rede de Apoio Eleitoral, elas apontam para uma nova votação."  A oposição acusa o governo de retardar a divulgação dos resultados eleitorais para tentar acobertar fraudes em favor de Mugabe, que está há mais de 20 anos no poder.    O embaixador do Brasil no Zimbábue, Raul de Taunay, não vê problemas na divulgação dos resultados da eleição geral de sábado. ''Segundo o calendário eleitoral, a apuração estava prevista para ocorrer entre 30 de março e 1º de abril. Por isso, está dentro do prazo'', disse o diplomata ao Estado, por telefone. ''Atrasos são normais. Aqui não é como um relógio suíço.'' Taunay criticou a oposição zimbabuana por declarar vitória antes da divulgação oficial dos resultados. O Movimento pela Mudança Democrática (MMD) - partido do principal rival de Mugabe, Morgan Tsvangirai - fez uma apuração paralela e disse que o opositor venceu com 60% dos votos. ''O MMD começou a alardear sua vitória após receber os primeiros resultados de Harare e Bulawayo . O problema é que só havia 14% ou 15% das urnas apuradas'', disse Taunay. Para o embaixador, essa era uma vantagem esperada, já que tradicionalmente a oposição tem maior apoio nos principais centros urbanos do país, caso da capital Harare e de Bulawayo, segunda maior cidade.   Taunay acredita que a oposição repete o erro que cometeu nas últimas eleições. ''Com essa atitude, eles acabam despertando a atenção das autoridades e das forças de segurança, que são muito vinculadas ao Zanu-PF (de Mugabe), mas estão começando a aceitar o MMD'', disse o diplomata. ''Eles não precisavam forçar a barra agora, porque dessa vez têm a possibilidade de vencer no voto. Por isso, deveriam esperar o resultado oficial das urnas.'' Para o embaixador, que visitou o centro oficial de apuração e outros dois paralelos, ''o MMD devia ser mais mineiro e não colocar os militares contra a parede''. Com o deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), Taunay atuou como observador do Brasil na votação, que qualificou como ''elegante'', tamanha a organização. No entanto, os dois não participam da contagem dos votos. O Itamaraty afirmou que aguardará a divulgação oficial do resultado para se pronunciar.   (Com Mariana Della Barba, de O Estado de S. Paulo, The New York Times e BBC) var keywords = "";   Matéria atualizada às 14h10.

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