Mugabe se diz pronto para lutar em 2.º turno no Zimbábue

Ministro contraria esperanças da oposição de que presidente admitirá derrota e diz que ele ainda não perdeu

Agências internacionais,

03 de abril de 2008 | 10h20

Robert Mugabe está pronto para disputar um segundo turno pela disputa presidencial no Zimbábue, segundo insistiu um porta-voz do governo nesta quinta-feira, 3, contrariando as esperanças da oposição de que o líder veterano está perto de admitir a derrota no pleito de sábado.  Veja também:Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos "Mugabe vai lutar. Ele não irá a lugar algum. Ele não perdeu", disse vice-ministro da Informação Bright Matonga à BBC. Em declarações reproduzidas pela rede pública sul-africana SABC, Matonga reconheceu que o partido governista, o Zanu-PF, perdeu a maioria parlamentar e que isto significa um "retrocesso político" para a legenda. "Vamos nos reorganizar e preparar vigorosamente nossa campanha para participar pacificamente da disputa" no segundo turno, afirmou o alto funcionário. "Estamos prontos para a luta final". Na capital Harare, as autoridades eleitorais ainda não divulgaram nenhum dado sobre a votação presidencial, embora a apuração parlamentar já tenha sido concluída. O MDC, que é o principal partido de oposição no Zimbábue, disse nesta quarta-feira que seu líder, Morgan Tsvangirai, venceu as eleições presidenciais. Para apoiar sua afirmação, o MDC divulgou seus próprios resultados. Em uma entrevista coletiva, o secretário-geral do partido, Tendai Biti, disse que Morgan Tsvangirai havia recebido 50,3% dos votos, e Mugabe, 43,8%.  Segundo a BBC, pela primeira vez desde a independência do Zimbábue, em 1980, o partido do presidente, Robert Mugabe, perdeu a maioria no Parlamento. Segundo os resultados oficiais das eleições parlamentares, divulgados na quarta-feira pela Comissão Eleitoral do Zimbábue, o partido de Mugabe, o Zanu-PF, conquistou 97 das 210 cadeiras. O oposicionista Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) ficou com 99 assentos no Parlamento.  Considerado o último grande ditador africano, Mugabe é acusado de manipular eleições anteriores, promover a violência e perseguir a oposição. Suas políticas econômicas desastrosas nos últimas anos obrigam a população a enfrentar desafios como uma inflação anual que ultrapassa os 100.000% ao ano. Mugabe estaria agora ponderando sobre conselhos conflitantes, como ceder poder ou partir para um segundo turno. Um dilema humilhante para o homem que governa o país há 28 anos. Nesta quinta-feira, Mugabe fez sua primeira aparição desde as eleições de sábado. Ele foi mostrado pela televisão estatal durante um encontro com observadores eleitorais da União Africana (UA). Um membro da comissão eleitoral indicou que os resultados das eleições presidenciais seriam divulgados na sexta-feira. Ele falou sob condição de anonimato. A comissão afirma ainda estar recebendo urnas das províncias. Isso gera dúvidas sobre onde estavam esses votos desde as eleições de sábado, em meio a denúncias de supostas fraudes. Observadores eleitorais ocidentais já acusaram Mugabe de fraudar eleições anteriores. Troca de acusações O jornal estatal Herald trouxe reportagens mostrando a divisão do Movimento para a Mudança Democrática, de Tsvangirai. Além disso, também acusou o oposicionista de querer devolver fazendas aos brancos. Tsvangirai, na verdade, havia se comprometido a distribuir de forma equilibrada as terras às pessoas que soubessem cuidar delas. Mugabe realizou anteriormente uma reforma agrária, segundo ele voltada para beneficiar os negros pobres. Porém, vários parentes e aliados do presidente receberam fazendas férteis, que com o tempo perderam quase toda a produtividade. Líderes religiosos e diplomatas se mobilizavam nesta quinta-feira para convencer Mugabe a renunciar. O atual presidente está no poder desde que o movimento de guerrilha liderado por ele ajudou a encerrar o domínio da minoria branca na Rodésia. Na ocasião foi formado o Zimbábue independente, em 1980. O outrora herói da libertação tornou-se progressivamente um déspota. Mugabe é responsabilizado pela destruição da economia do país, antes em uma rota de desenvolvimento. O principal motivo apontado para isso foi o período de oito anos em que ele ordenou tomadas, muitas vezes violentas, de vastas áreas produtivas de fazendas, propriedades de poucos milhares de brancos. Há problemas crônicos com a falta de praticamente tudo no país - comida, remédios, água, eletricidade, combustível. Além disso, 80% da população zimbabuana está desempregada.

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