Muita coisa em jogo

Debate entre vices de 2008 teve audiência recorde pela presença pop de Sarah Palin; o de hoje é relevante por ocorrer em momento decisivo

DAN, BALZ, THE WASHINGTON POST, É JORNALISTA, DAN, BALZ, THE WASHINGTON POST, É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2012 | 03h04

Análise

Raramente um debate vice-presidencial foi tão crucial como o de hoje entre o democrata Joe Biden e o republicano Paul Ryan. Após a vitória inegável de Mitt Romney sobre o presidente Barack Obama em Denver, na semana passada, o confronto será num momento volátil e definidor da campanha.

Para a equipe de Obama, o debate de hoje oferecerá uma oportunidade de anular os avanços que Romney conseguiu desde o primeiro debate presidencial. Para o Partido Republicano, Ryan terá uma chance de consolidar os ganhos que sua chapa obteve nos últimos dias.

Biden é vice-presidente e, portanto, inteiramente responsabilizável pelo que deu certo ou errado na trajetória de Obama. Ele é um ator central no governo que não se esquivou de oferecer conselhos francos ao presidente. Ryan também é mais que um mero indicado para vice pinçado da obscuridade. O presidente da Comissão de Orçamento da Câmara pode ter um perfil público nacionalmente limitado, mas serviu por sete mandatos no Congresso e, o que é mais significativo, seus pares o consideram o líder intelectual do Partido Republicano.

Alguns debates vice-presidenciais são mero entretenimento em relação à disputa geral, divertidos mas incidentais na campanha. Esse foi o caso há quatro anos, quando o debate, que atraiu um enorme público, contava com a presença de Sarah Palin, cuja candidatura havia capturado amigos e inimigos. Mas o desfecho daquele debate - um empate ou vitória modesta de Palin aos olhos de muitos entendidos e uma vitória de Biden segundo o público - em nada mudou uma vitória que já havia se afastado do senador John McCain e sorria para Obama. O debate de hoje em Kentucky pode ser diferente.

As pesquisas nacionais de opinião mostram um movimento para Romney desde Denver e o entusiasmo dos republicanos está em alta. Mas são necessárias mais evidências para mostrar até que ponto o panorama dos Estados indefinidos foi mudado pelo debate.

Biden é um debatedor experiente e informado. Os republicanos acreditam que ele jogará duro contra Ryan - que também é considerado astuto, objetivo e autêntico. Alguns democratas o veem como melhor comunicador que Romney. Mas Ryan tem várias fraquezas. Ele conhece o orçamento em tal nível de detalhe que pode cair em particularismos se não tomar cuidado. Os nervos também podem ser um problema. As fraquezas potenciais de Biden são conhecidas. Uma é sua propensão a ser verborrágico. Ele tem um histórico de gafes verbais, sobretudo quando é apanhado de surpresa.

O que ocorrer hoje em Kentucky provavelmente terá um grande efeito em como as coisas estarão quando Obama e Romney tornarem a se encontrar, na terça-feira. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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