Mujahedins afegãos atacam três fotógrafos dos EUA

Três fotógrafos americanos foram atacados e ameaçados por um grupo de afegãos na presença de soldados das forças especiais americanas, que não fizeram nada para socorrê-los. Foi o que relatou um dos protagonistas do episódio, que ocorreu na quinta-feira em Meelawa, na zona montanhosa de Tora Bora, onde as forças especiais americanas estão inspecionando cavernas da Al-Qaeda. "Não fizeram nada para nos ajudar quando era claro que estávamos em perigo", disse David Guttenfelder, da Associated Press (AP), assegurando que foram os soldados americanos que ordenaram aos mujahedins que "inspecionassem" os fotógrafos depois que estes tiraram algumas fotos dos militares. Ao terminarem uma reportagem fotográfica das forças especiais americanas, Guttenfelder e seus colegas João Silva e Tyler Hicks, do jornal New York Times, afastaram-se do vale em que se encontravam em seu próprio automóvel."Uma pick-up carregada de mujahedins nos ultrapassou e nos bloqueou na estrada; os homens, armados de Kalashnikovs, desceram do carro apontando as armas contra nós", disse o fotógrafo da AP. Quando começaram a agredir os três, Guttenfelder viu dois agentes das forças especiais e os chamou para que ajudassem mas nenhum deles se aproximou. "Eu gritei: ´somos americanos, estamos com problemas, podem ajudar-nos?´, e um deles respondeu: ´vocês jornalistas devem cumprir seu dever, mas nós somos obrigados a fazer isto porque não podemos ser fotografados por razões de segurança´", relatou Guttenfelder. "Naquele momento, percebi que foram eles que mandaram os mujahedins à nossa procura", acrescentou. Depois de longas negociações com os afegãos, os três conseguiram recuperar parte de seus pertences.Leia o especial

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