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Mujica: a digitalização é uma 'ditadura que entra sem as pessoas perceberem'

Para ex-presidente uruguaio, a nova tecnologia digital estabelece "um nível de dominação que nenhuma ditadura jamais teve no mundo"

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2017 | 02h16

SÃO PAULO - O ex-presidente do Uruguai José Mujica alertou na sexta-feira, 5, em São Paulo sobre a revolução tecnológica por considerá-la uma nova forma de "ditadura" que entra de maneira inconsciente e domina as decisões das pessoas a nível mundial.

A digitalização "é o novo auge da dominação sem necessidade de militarização. É a ditadura que entra sem que as pessoas percebam e domina suas decisões", disse Mujica na abertura do Congresso Regional do Partido dos Trabalhadores do Brasil, celebrado na sexta.

O ex-mandatário uruguaio acompanhou na noite de sexta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes do PT no evento.

Em seu discurso, afirmou que a sociedade está neste momento sob "ameaça da dominação digital", já que atualmente é possível averiguar o perfil psicológico de milhões de pessoas e mandar-lhes mensagens personalizadas.

Para Mujica, a nova tecnologia digital estabelece "um nível de dominação que nenhuma ditadura jamais teve no mundo", já que dá a possibilidade de introduzir-se "na consciência das pessoas". 

Em sua opinião, as novas gerações terão que "lutar" contra isso e também contra a "massiva robotização do trabalho". "Essa técnica está sendo aplicada em toda a América Latina. Frente a todas essas armadilhas, precisamos de força coletiva", comentou. 

Nesse sentido, Mujica pediu ao povo brasileiro para juntar-se com o restante dos trabalhadores latino-americanos e buscar aliados porque "a batalha é de todo o continente".  "O Brasil não pode sozinho e os outros países da América Latina não podem sem o Brasil", disse. 

Apesar disso, advertiu que a luta será longa e não pode ser baseada no "ódio", porque isso é o que espera a "direita fascista". 

Os dois ex-presidentes almoçaram juntos anteriormente e no ato foram recebidos com saudações em sua entrada no auditório do Sindicato dos Bancários de São Paulo, no centro da cidade. / EFE

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