Mujica admite reverter legalização da maconha

Presidente uruguaio afirma que se experiência com a droga for aplicada e não der certo, deve ser repensada; 'não podemos nos tornar fanáticos'

MONTEVIDÉU, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 02h10

O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou ontem que "dará marcha à ré" na legalização da produção e comercialização da maconha em seu país - prevista para ocorrer após a aprovação pelo Senado da nova regulamentação - se o consumo e o comércio de droga se descontrolarem após a aplicação da medida. "Isso é uma experiência", afirmou Mujica durante entrevista exclusiva à agência France Presse. "Como toda experiência, naturalmente tem riscos e temos de ter a percepção de que, se isso passar por cima de nós, damos marcha à ré. Não temos de nos tornar fanáticos", afirmou.

Mujica disse que Argentina e Brasil "devem ter preocupação" em relação à legalização da maconha no território uruguaio. "Nós temos que pedir à comunidade internacional que nos ajude", disse o presidente, que enfatizou que o objetivo de seu projeto de lei não é a liberação total da cannabis na sociedade uruguaia, pois a produção e a distribuição da droga será controlada pelo Estado, segundo a nova legislação.

Mujica afirmou que seu governo planeja endurecer as penas contra quem cultivar maconha sem ter obtido o registro necessário. "Não tenha dúvidas", reforçou o presidente à reportagem. De acordo com a nova lei, os usuários de maconha que se registrarem terão permissão para cultivar até seis pés da planta e poderão comprar 40 gramas da droga por mês, ao preço de US$ 2,50 o grama.

O projeto, aprovado na Câmara no dia 31, prevê também a regulamentação da importação de cannabis e das sementes das plantas. Seu objetivo é combater a violência ligada ao tráfico da droga no país. A votação do Senado uruguaio, onde o governo tem maioria, deve ocorrer até outubro. / AFP

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