David Fernández/Efe
David Fernández/Efe

Mujica compara aproximação de EUA e Cuba com queda do Muro de Berlim

Presidente afirmou que Uruguai contribuiu com 'grão de areia' para ajudar na retomada de relações entre Washington e Havana 

O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2014 | 10h30


MONTEVIDÉU - O Uruguai contribuiu com um "humilde grão de areia" para o restabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos, disse na quarta-feira o presidente uruguaio, José Mujica, acrescentando ter recebido um telefonema de um "amigo americano" para agradecê-lo.

Sem especificar quem ligou para ele, Mujica comparou o significado político da aproximação entre Barack Obama e Raúl Castro com a queda do Muro de Berlim, mas na América Latina. "Tivemos o grato apreço de receber uma ligação telefônica de alguém, um amigo americano, reconhecendo e sabendo que o papa e algum outro governo tiveram bastante influência num processo muito longo, para ajudar a construir a confiança de que o que fosse acordado seria cumprido."

"Acabou o bloqueio. É um passo positivo. Nisso tudo, o Uruguai contribuiu com seu humilde grão de areia, não mais, tentando ajudar uma política que estava congelada", disse 'Pepe' em uma entrevista coletiva improvisada no aeroporto, quando chegava a Montevidéu vindo da Argentina, onde participou da cúpula semestral do Mercosul.

O presidente uruguaio se refere às repetidas vezes em que pediu a Obama a libertação dos três agentes cubanos e à ajuda ao colaborar com o programa de fechamento da prisão de Guantánamo.

Em março, Mujica se mostrou aberto a acolher como refugiados no Uruguai seis detentos da prisão, que fica em território cubano e foi criada pelo presidente Bush em 2002 para manter os suspeitos de terrorismo fora da jurisdição dos tribunais federais americanos.

"Nós pensamos assim e não vamos cair na história de que os EUA obedeceram ao nosso pedido. Sabemos claramente quais são nossas proporções. O Uruguai contribuiu com seu grão de areia em um problema que é complexo", acrescentou Mujica.

Ainda sobre essa questão, ele afirmou não ter "a petulância" de que a "ilustre" participação do Uruguai foi determinante para resolver positivamente o problema entre Washington e Havana, "mas nós não escondemos em nenhum momento o que pensamos".

Mujica confessou que em seus últimos encontros com Raúl Castro, que o aconselhou em sua decisão de acolher os presos de Guantánamo no Uruguai, "sabia que havia um barulho de aproximação" com os EUA, mas que "não era fácil" para nenhum "dos dois lados".

"Acredito que faz tempo que isso vinha sendo negociado", afirmou Mujica, após destacar as dificuldades que Obama teve para tomar a decisão. "Ele (Obama) teve que esperar as eleições e os resultados. Há uma resistência grande dentro de determinados interesses dos EUA e bom, chegou a hora", opinou.

"Parece-me bom que as relações se normalizem e os focos de tensão diminuam. O problema mais grave agora é o narcotráfico na América Central", disse Pepe, que acredita que a aproximação entre EUA e Cuba representa uma nova etapa das relações no Caribe, mas não resolve todos os problemas. /EFE

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