AP Photo/Andre Penner
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Mujica diz que candidatura de Trump é 'fruto da concentração de riqueza'

'A imagem (de Trump) é tão grotesca que você sente até uma suave afinidade com a senhora (Hillary) Clinton, que é uma mulher bastante conservadora', disse o ex-presidente, em Roma

O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2016 | 18h01

ROMA - O ex-presidente do Uruguai José Mujica criticou nesta sexta-feira, 4, em Roma que a política esteja a serviço da concentração econômica de poucos, o que propicia o populismo e permite que candidatos como Donald Trump possam concorrer à presidência dos Estados Unidos.

Mujica participou hoje de uma jornada organizada pelo 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Os participantes se reúnem em Roma e serão recebidos amanhã pelo papa Francisco.

Em seu discurso, o ex-presidente uruguaio lamentou que o poder político esteja a serviço da concentração econômica de uma minoria e opinou que existe uma "globalização que é tão concentradora do lucro em favor de pouca gente, que está estagnando as expectativas de vastíssimos setores de classe média que se veem na incerteza".

"São os eleitores de Trump, os que dizem 'França para os franceses', 'Inglaterra para os ingleses", comentou.

"Pertencem a esse mundo de classe média trabalhadora de bons salários que vai sumindo na incerteza e se vai somando a essa dinâmica de que a culpa é da China, do México, dos imigrantes, dos sírios... em cada lugar uma literatura que o mundo já viveu nos anos 30", acrescentou.

Mujica declarou ainda que Trump não lhe assusta, "mas sim as pessoas que o apoiam", porque o candidato republicano "vai passar, mas essa gente vai continuar ali".

"A imagem (de Trump) é tão grotesca que você sente até uma suave afinidade com a senhora (Hillary) Clinton, que é uma mulher bastante conservadora", reconheceu.

Com relação ao papa, Mujica opinou que Francisco está dando um novo sentido à concepção do cristianismo e afirmou que com seus discursos a favor dos pobres "honra sua igreja, mas honra também a humanidade inteira".

"Alguém dirá que são apenas discursos (...), mas tem uma importância que sejam ditos por ninguém menos que o papa", concluiu. / EFE

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