REUTERS/Ueslei Marcelino
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Mujica diz que venezuelanos não devem ficar diante de tanques: 'quem dirige pode ser louco'

Comentário de ex-presidente uruguaio sobre o incidente em Caracas, durante manifestações anti-chavistas, foi criticado por atribuir culpa à vitima atingida pelos tanques da Guarda Nacional Bolivariana; nesta quinta, ele voltou a comentar o caso

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 13h59

MONTEVIDÉU - "(As pessoas) não devem ficar na frente dos blindados. Se você vai às ruas, se expõe." Foi assim que o ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica se referiu na quarta-feira, 1º, ao atropelamento de manifestantes antichavistas por blindados da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), ao ser questionado sobre o incidente.

Com a repercussão negativa da declaração, que colocaria sobre as vítimas a culpa de ser atingida pelos taques conduzidos por militares leiais ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, Mujica voltou a falar do assunto nesta quinta, 2, para explicar o que quis dizer.

"O que eu disse é que você nunca deve ficar na frente dos tanques porque o condutor pode ser um louco. É preciso levar em consideração que há pessoas neste mundo com um caminhão que atropelam uma multidão. Eu não estou justificando nada, só estou tentando educar as pessoas ", afirmou ao semanário uruguaio Búsqueda, o mesmo ao qual havia feito a primeira declaração.

O ex-presidente também disse afirmou que nunca foi sua intenção "justificar a situação no país caribenho" e completou: "o que está acontecendo na Venezuela é uma selvageria. Como vou justificar essa selvageria? Até roubaram alguns tanques".

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No dia 30, um militante pró-Juan Guaidó foi atropelado e morto durante ato público em Caracas por um blindado da GNB. O modelo VN4 Rhinoceros, de 5,7 toneladas, é armado com uma metralhadora 12.7 mm. Nas versões venezuelanas a torre de ataque é equipada também com disparadores de granadas de gás - a munição lacrimogênea é comprada no Brasil, da Condor Tecnologias Não Letais.

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