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Mujica pede que EUA libertem cubanos e diz receber presos de Guantánamo

Presidente diz que Uruguai sempre foi um país de refúgio e apoia a iniciativa de Obama para fechar a prisão

O Estado de S. Paulo,

21 de março de 2014 | 15h33

MONTEVIDÉU - O presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, informou nesta sexta-feira, 21, ter pedido ao seu homólogo americano, Barack Obama, que liberte presos cubanos em troca de receber prisioneiros de Guantánamo. Ele também ressaltou que sua decisão de acolher cinco presos da prisão não foi tomada "por dinheiro" ou por "conveniência".

"Não fazemos isso por dinheiro ou por conveniência material e não temos vergonha em dizer que pedimos, por favor, ao governo americano que faça o possível por esses dois ou três presos cubanos, que há muitos anos estão lá (Guantánamo), e busque uma maneira de libertá-los". Mujica falou sobre o pedido em seu programa de rádio "Fala o Presidente", mas não especificou quem são os presos.

Cuba reivindica aos EUA há anos a libertação de um grupo de agentes conhecidos como "Os Cinco", condenados a longas penas de prisão. Dois deles já estão em liberdade, em Cuba.

Ao referir-se a Guantánamo, Mujica disse que Obama "herdou o problema" dessa prisão que funciona em uma base militar americana em Cuba e, atualmente, "luta para terminar com essa vergonha da humanidade".

O líder uruguaio lembrou que os presos de Guantánamo chegaram lá depois de "caças" por pessoas realizadas na busca por militantes de Al-Qaeda nos países árabes. "Muitos destes presos não tinham sentença e terminaram em Guantánamo", afirmou Mujica.

Segundo o presidente uruguaio, o pedido dos EUA para que seu país abrigue presos daquela prisão "chegou há meses". "Respondemos que sim porque o Uruguai sempre foi e será um país de refúgio e, para nós, esta é uma questão de princípios."

Mujica, 78 anos, foi um dos líderes históricos do movimento guerrilheiro Tupamaros e ficou preso 13 anos em duras condições antes e durante a ditadura que vigorou no Uruguai entre 1973 e 1985.

O mandatário ressaltou que ainda está longe de concretizar a chegada dos presos com status de refugiados, mas afirmou que eles "serão homens livres na realidade uruguaia."

Sobre a possibilidade de esses refugiados não poderem abandonar o Uruguai pelo período de dois anos, Mujica disse que seria somente por um gesto de boa vontade e não por uma imposição do país. "Jamais aceitaríamos ser carcereiros de alguém, também não aprovamos a jurisprudência da prisão de Guantánamo. Não podemos nos fazer de distraídos perante ao fato de que as pessoas estão 13 anos presas sem causa provada."

"Muito criticamos e seguiremos criticando o império ianque, mas quando existe um presidente que luta para encerrar uma vergonha para a humanidade não se deve dar as costas", declarou Mujica.

A revista uruguaia Búsqueda adiantou a decisão do governo uruguaio de aceitar o pedido de Obama e destacou que a intenção dos EUA é distribuir os presos de Guantánamo "em mais de uma dúzia de países de distintas partes do mundo".

Segundo a publicação, durante sua última visita a Cuba no fim de janeiro para participar da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Mujica "informou Raúl Castro sobre a ideia de Obama e ambos concordaram em apoiá-la."

Os EUA confirmaram nesta sexta as conversas com o Uruguai sobre o fechamento de Guantánamo, informou a Casa Branca. "Não podemos comentar sobre as conversas diplomáticas. De toda forma, como fazemos com outros governos, os EUA contatou o governo uruguaio para falar do fechamento da prisão."/ EFE

 
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