Mujica pede voto de uruguaios do exterior

Presidente se concentra em imigrantes que vivem na Argentina; Cristina Kirchner decreta folgapara facilitar viagem

Ariel Palacios, Enviado especial/ Montevidéu, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2014 | 02h02

O presidente uruguaio, José Mujica, fez ontem um apelo para que seus compatriotas que vivem fora do país, principalmente os que moram na Argentina, onde está a maior comunidade de "uruguaios no exterior", viajem ao Uruguai para votar no candidato do governo, Tabaré Vázquez, nas eleições presidenciais e parlamentares de amanhã.

"Precisamos deles", afirmou Mujica em declarações à agência estatal de notícias argentina Télam. "Eles são o núcleo de compatriotas que está mais perto e com os quais mantemos frequentes relações", disse o presidente, que convidou os imigrantes a "cruzar o charco" (expressão usada nas duas margens do Rio da Prata para designar a travessia entre os dois países) para votar em Vázquez, candidato da coalizão governista Frente Ampla, de centro-esquerda. "Venham dar uma mão para a gente solucionar os problemas", declarou Mujica.

Os analistas em Montevidéu sustentam que o "voto do exterior" é costumeiramente de esquerda e de centro-esquerda. Por esse motivo, a Frente Ampla tradicionalmente mobiliza seus partidários no exterior para estimular a viagem até o Uruguai.

Os uruguaios somente podem votar dentro do território nacional. Não podem, diferentemente dos brasileiros, votar nos consulados no exterior.

As pesquisas indicam que o candidato governista não obterá os votos necessários para vencer no primeiro turno. Vázquez, de acordo com diversas sondagens, teria entre 42% e 44% dos votos, enquanto que seu principal rival, Luis Lacalle Pou, candidato do Partido Nacional, conseguiria entre 29% e 33%.

No entanto, o esforço do governo na reta final da campanha para convencer os imigrantes uruguaios está concentrado em obter o número de votos suficientes para conseguir maioria no Parlamento.

Maioria. Os analistas destacam que é quase inevitável que a Frente Ampla, que em seus dois governos manteve maioria no Senado e na Câmara de Deputados, não consiga, desta vez, obter o controle parlamentar.

Na semana passada, os candidatos da oposição criticaram a interferência do governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, na campanha eleitoral do Uruguai, ao colaborar com Mujica no transporte de eleitores para o outro lado da fronteira.

Diversas organizações kirchneristas - entre elas "La Cámpora", denominação da juventude kirchnerista - montaram esquemas de transporte de uruguaios para votar em Vázquez nas eleições de amanhã. O plano seria levar pelo menos 20 mil uruguaios para votar, quase 1% do eleitorado habilitado, volume que poderia ser decisivo caso a eleição seja apertada.

Em 2004, o voto do exterior foi considerado crucial para a vitória de Vázquez, que conseguiu se eleger graças a 15 mil votos colocados nas urnas pelos uruguaios provenientes da Argentina.

Em Buenos Aires, a presidente Cristina decretou uma folga especial de dois dias para que os uruguaios que trabalham em repartições públicas na Argentina possam viajar ao Uruguai para votar. A maioria dos imigrantes reside em Buenos Aires e em sua região metropolitana, a apenas 25 minutos de avião de Montevidéu (ou 3 horas em ferryboat).

Campanha. De olho nos eleitores compatriotas residentes na Argentina, recentemente, Vázquez viajou para Buenos Aires para fazer discursos à comunidade local de uruguaios. Diversas estimativas indicam que pelo menos 150 mil uruguaios residiriam na capital argentina e em sua área metropolitana. Outros 150 mil estariam espalhados pelo restante do território argentino.

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