AFP
AFP

Mujica reafirma decisão de receber presos de Guantánamo

Jornal uruguaio El País informou que os detentos, considerados de baixa periculosidade, chegarão na última hora da segunda-feira ou nas primeiras horas de terça-feira e serão levados ao Hospital Militar

O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2014 | 17h19

MONTEVIDÉU - O presidente do Uruguai, José Mujica, reafirmou nesta sexta-feira, 5, sua decisão de receber seis presos da base americana de Guantánamo, em Cuba, mas não estabeleceu datas para a chegada deles.

Mujica ressaltou que assumiu o compromisso com o presidente dos EUA, Barack Obama, que não cumpriu ainda sua promessa de fechar Guantánamo, por uma razão "ineludivelmente" humanitária, pois, segundo disse, os detentos dessa prisão sofrem um "atroz sequestro".

"Oferecemos nossa hospitalidade para seres humanos que sofriam um atroz sequestro em Guantánamo. A razão, iniludível, é humanitária", declarou o presidente em comunicado divulgado no site da Presidência da República.

Na carta, Mujica também reivindica a Washington a "libertação" dos agentes cubanos da operação Vespa condenados por espionagem nos EUA que seguem presos, e de Oscar López Rivera, um independentista porto-riquenho preso há mais de 30 anos.

"Temos certeza que essas reivindicações insatisfeitas abririam amplas avenidas a um processo de paz, entendimento, progresso e bem-estar para todos os povos que habitam aquela região crucial de nossa América", acrescentou.

Por sua parte, o jornal uruguaio El País informou nesta sexta-feira que os detentos, considerados de baixa periculosidade, chegarão na última hora da segunda-feira ou nas primeiras horas da madrugada de terça-feira e serão levados ao Hospital Militar para passar por uma revisão médica.

Segundo o jornal, os detentos são um palestino, quatro sírios e um tunisiano que estavam em Guantánamo desde 2002 sem julgamento, "depois que foram feitos prisioneiros no Paquistão".

Fontes do centro hospitalar mencionado pelo El País asseguraram hoje à agência Efe "não ter nenhum conhecimento" sobre a chegada destes prisioneiros, enquanto porta-vozes da chancelaria uruguaia evitaram confirmar ou desmentir a informação.

A decisão de Mujica de receber presos de Guantánamo provocou críticas da oposição e também foi mal recebida pelos uruguaios, já que 58% deles rejeitam a chegada ao país dos presos, de acordo com uma pesquisa divulgada em outubro.

No meio da controvérsia, o governante decidiu adiar a decisão definitiva até o fim do processo eleitoral que terminou no dia 30 com a vitória do ex-presidente Tabaré Vázquez (2005-2010) no segundo turno. / EFE

Mais conteúdo sobre:
UruguaiJosé MujicaGuantánamo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.