Mulá afegão rejeita influência externa

A entrada da mesquita comandada pelo mulá Mawlawi Habibullah Hussam é guardada por um homem armado com um fuzil russo Kalashnikov, elemento onipresente na paisagem de Cabul. Depois dele, outro segurança permanece perto do religioso em sua sala, equipado com um revólver na cintura. Hussam é um dos muitos guardiões da tradição islâmica do Afeganistão e vê com apreensão o aumento da influência estrangeira no país.

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL, Estadão Conteúdo

13 de setembro de 2014 | 08h05

Ele inclui entre os elementos perigosos novelas turcas e indianas na televisão, presença de organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, tropas estrangeiras e, acima de tudo, os Estados Unidos. Apesar da suspeição, Hussam é entusiasta das redes sociais, desde que usadas nos limites estabelecidos pela religião - algo vago que, na essência, significa a rejeição a uma sociedade secular. Há dois anos, ele criou uma página no Facebook. Mais tarde, aderiu ao Twitter.

Os posts recentes do mulá nas redes sociais falaram do impasse político no Afeganistão, da jihad e do conflito entre Israel e Palestina - que, segundo ele, foi vencido pelo Hamas.

Enquanto falava à reportagem do Estado ontem, Hussam verificava o Facebook em seu smartphone. "Se os meios de comunicação em massa forem usados de maneira responsável e apropriada, eles podem ter efeito positivo."

Atoleiro. Na opinião do líder religioso, as tropas estrangeiras trouxeram a corrupção política, moral e cultural ao Afeganistão. Apesar de desejar que elas saiam do país, ele teme a repetição de um cenário semelhante ao do Iraque, onde a retirada dos soldados americanos foi seguida do aumento da violência e da ocupação de parte do país pelo grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mais conteúdo sobre:
Afeganistãoislamismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.