Mulher-bomba de 64 anos se explode em Gaza

O mais velho atacante suicida palestino, uma viúva de 64 anos, vivia num único cômodo e tinha tantos netos que seus parentes perderam a conta de quantos. Mas sua filha disse que Fatma Oman An-Najar deu sua vida num ataque contra soldados israelenses nesta quinta-feira, 23, porque um de seus netos foi morto e outro perdeu uma perna em confrontos com tropas do Estado judeu. Fatma controlava um pequeno exército de militantes, a maioria no movimento islâmico Hamas, mas com alguns outros da rival Fatah. Seu marido, que morreu há um ano, passou um tempo em celas israelenses, assim como cinco de seus filhos. Um de seus vários netos morreu aos 17 anos em 2002, combatendo tropas de Israel durante uma incursão na vizinha Beit Lahiya, disseram parentes, e outro neto adolescente perdeu uma perna por um ferimento a tiro que sofreu ao tentar esfaquear um soldado israelense. Um de seus filhos, Samir, de 36 anos, estimou que seus nove filhos deram a ela entre 35 e 38 netos. "Ela tinha um exército de netos", comentou. Sua filha mais velha, Fatheya, afirmou que ela e a mãe participaram de uma concentração numa mesquita de Gaza há três semanas, quando mulheres desafiaram soldados israelenses fortemente armados para distraí-los e permitir que militantes do Hamas escapassem. "Eu e ela fomos à mesquita. Buscávamos o martírio", disse ela. Veterana partidária do Hamas, ela abrigou militantes palestinos durante a primeira Intifada, de 1987 a 1993. A casa do casal foi demolida pelo Exército de Israel por ter abrigado um líder do Hamas, deixando Fatma e seu marido vivendo num único cômodo de um complexo de casas onde morava toda a família An-Najar, com um colchão no chão e pouco mais. Viúva, sozinha, seus filhos crescidos, a amargurada matriarca soltou sua ira amarrando explosivos ao corpo e se aproximando de soldados israelenses num campo de refugiados palestinos próximo. Os soldados já haviam sido advertidos sobre um possível ataque e jogaram uma granada de efeito moral enquanto ela se aproximava. Estonteada, ela detonou os explosivos a uma distância maior dos soldados, morrendo e apenas ferindo levemente dois dos inimigos. Antes de sair na missão suicida arquitetada pelo Hamas, ela gravou um vídeo-testamento, como é de costume com homens-bomba. Com lenço branco no cabelo e um robe preto, com um fuzil em seu ombro e na frente de um mural do Hamas, ela leu uma texto dedicando seu ataque ao governo do primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh, do Hamas, e ao comandante militar do movimento, Mohammed Deif. "Espero que Deus aceite isso", afirmou.

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