AP Photo/Christophe Ena
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Mulher de candidato conservador francês é suspeita de falsificar documento para justificar emprego

Penelope Fillon pode ser acusada de estelionato agravado; seu marido, François Fillon, foi acusado recentemente por desvios de fundos

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2017 | 15h47

PARIS - A mulher do candidato conservador à presidência da França, Penelope Fillon, pode ter falsificado um documento para justificar seu cargo como assistente parlamentar do marido, François Fillon, segundo publicou a imprensa local nesta terça-feira, 28.

O jornal francês Le Parisien revelou um contrato que, segundo os investigadores, constituiria a prova de que os Fillon falsificaram documentos, o que pode se traduzir na principal acusação contra eles. Esta nova revelação ocorre no mesmo dia no qual está previsto que Penelope compareça perante os três juízes instrutores que investigam seu suposto emprego fictício.

Ao contrário de seu marido, que foi acusado no dia 14 por desvio de fundos, Penelope pode também ser acusada de estelionato agravado, em razão das suspeitas sobre a falsificação do documento.

Segundo o jornal, os agentes encontraram o documento supostamente falsificado durante a segunda revista realizada no escritório de François Fillon na Assembleia Nacional no dia 10 de março.

Entre os papéis da secretária do deputado foi encontrada uma pasta na qual apareciam relações de empregados, que datam de 2012, com o nome da mulher de Fillon, nos quais estava previsto que seu contrato como assistente parlamentar era de 20 horas semanais. Os documentos entregues na primeira revista, no entanto, indicavam que a duração de seu contrato era de 14 horas semanais, pelas quais Penelope cobrou 3.872 euros mensais brutos.

Em paralelo a esse trabalho no Parlamento, a mulher do agora candidato tinha outro contrato com a revista La Revue Dês Deux Mondes, dirigida por um amigo de seu marido, pelo qual recebia 5 mil euros mensais brutos.

A lei francesa impede o acúmulo de dois contratos por tempo integral. Porém, no contrato de Penelope com a Assembleia Nacional, constava 20 horas e seria, portanto, uma ilegalidade. Assim, a acusação suspeita que os Fillon falsificaram o documento para dar legalidade aos dois trabalhos simultaneamente.

O candidato, por sua vez, defende sua inocência e acusa o atual presidente, François Hollande, de ter criado uma conspiração contra ele para evitar que chegue ao Eliseu. Essa linha de defesa, segundo as pesquisas, não está dando resultados por enquanto.

Uma pesquisa divulgada pelo grupo de veículos de imprensa públicos revela que o candidato conservador está terceiro lugar, com 18% das intenções de voto no primeiro turno que será realizado no dia 23 de abril, atrás da ultradireitista Marine Le Pen (25%) e do liberal Emmanuel Macron (24%). / EFE

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