REUTERS/Jeenah Moon/File Photo
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Mulher de 'El Chapo' é condenada a três anos de prisão nos EUA

Emma Coronel confessou culpa pela distribuição de 100 toneladas de maconha, cocaína, heroína e metanfetaminas

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2021 | 07h57
Atualizado 01 de dezembro de 2021 | 09h49

Dois anos após o traficante mexicano “El Chapo” começar a cumprir pena de pisão perpétua nos Estados Unidos, sua esposa, que admitiu ter participado de atividades milionárias de contrabando, foi condenada nesta terça-feira, 30, a 36 meses de detenção em uma penitenciária federal. 

Emma Coronel Aispuro se declarou culpada, em junho, em três acusações no Tribunal Distrital dos EUA em Washington. Seus crimes, segundo ela mesma, incluem a distribuição de 100 toneladas de maconha, cocaína, heroína e metanfetamina.

“Dirijo-me a você hoje para expressar meu verdadeiro pesar e peço que todos os cidadãos deste país me perdoem”, disse Emma ao juiz Rudolph Contreras. “Sinto muito”.

O Departamento de Justiça e os advogados de Emma concordaram que as diretrizes de sentença em seu caso exigiam uma pena de prisão na faixa de 51 a 71 meses. Entretanto, um promotor recomendou apenas 48 meses, observando que a mulher de El Chapo era uma pequena “engrenagem de uma grande roda de uma poderosa organização criminosa” e que ela “rapidamente aceitou a responsabilidade” após sua prisão em fevereiro.

Mas o advogado de defesa Jeffrey Lichtman pediu mais clemência, argumentando que Emma se casou com El Chapo em seu aniversário de 18 anos, quando ele tinha 49, e passou sua vida adulta sob seu domínio. “Seu envolvimento era, em muitos aspectos, apenas por ser a esposa de Joaquín Guzmán (El Chapo)”, disse Lichtman, alegando que o papel de Emma na organização deveria ser “julgado pelas lentes de como ela ingressou no crime”.

Como parte de um acordo judicial, Emma admitiu ter ajudado seu marido, agora com 64 anos, a manter o controle do Cartel de Sinaloa de sua cela em uma prisão mexicana de segurança máxima antes de sua fuga em julho de 2015. Ela entregava mensagens de El Chapo a associados do cartel, permitindo que ele continuasse lucrando com o contrabando mesmo sob custódia.

Emma também reconheceu que recebeu US$ 1 milhão em rendimentos da venda de heroína e usou parte do dinheiro como suborno para garantir tratamento favorável para o marido na prisão.

Depois de meses foragido, o robusto chefão — cujo apelido se traduz como “Baixinho” — foi capturado em janeiro de 2016 e extraditado para os Estados Unidos um ano depois. Ele foi condenado por acusações federais de tráfico de drogas em 2019 e condenado à prisão perpétua. Em seus anos no comando do cartel, disseram as autoridades, ele arrecadou cerca de US$ 14 bilhões e foi responsável por inúmeros atos de violência.

“Ele me conquistou com sua bondade e boas maneiras”, disse certa vez a um entrevistador. Ela e El Chapo são pais de duas filhas gêmeas de 11 anos.

No julgamento do contrabandista, sua esposa era uma figura impressionante. Sempre chegava ao tribunal com roupas de grife, salto agulha e óculos de sol grandes, o que lhe rendeu o apelido de "Kardashian de Sinaloa". De seu assento reservado na galeria do tribunal, ela ocasionalmente mandava beijos para o marido./W.POST

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