Mulher de Kerry vira estrela da convenção democrata

Principal estrela da convenção democrata na noite desta terça-feira, Teresa Heinz Kerry, a mulher do senador John Kerry, o candidato do partido, é rica, bonita, inteligente e famosa por dizer exatamente o que pensa em português, inglês, francês, espanhol e alemão, as cinco línguas que domina com fluência. Filha de um médico português nascida em Moçambique e educada na África do Sul e na Suíça, Teresa, de 65 anos, ganhou notoriedade em seu Estado adotivo de Massachusetts anos antes de conhecer o seu segundo marido, quando era ainda membro do partido de George W. Bush.Em 1975, quando era casada com um jovem e promissor político republicano da Pensilvânia, John Heinz, da família dona da maior fábrica de ketchup do mundo, ela fez uma declaração sobre o senador Edward Kennedy, o chefe da mais famosa dinastia política americana, que é até hoje recitada nas rodas sociais de Boston. "Conheço alguns casais que só ficam juntos por causa de política", disse ela. "Se Ted Kennedy insistir em seu casamento apenas por causa do voto católico, como dizem algumas pessoas, então eu penso que ele é um bastardo perfeito." Ted Kennedy divorciou-se de sua primeira mulher, Joan, Teresa ficou viúva de John Heinz em 1991, começou a namorar Kerry durante a Rio 92, casou-se com ele três anos depois e tem pelo menos 50% de chances de tornar-se a próxima primeira-dama dos EUA. Mas sua desconcertante franqueza permanece inalterada. Ela não esconde que usa botox, relutou em incorporar Kerry a seu sobrenome e disse em comícios da campanha do daria tudo, até mesmo a fortuna de mais de US$ 500 milhões que herdou de Heinz, para ter o primeiro marido de volta. Avessa à coreografia política, ela é vista por alguns como uma figura imprevisível, que pode prejudicar a campanha de Kerry com seus arroubos, e por outros como uma pessoa de substância, que dedicou parte de sua fortuna a projetos culturais, ambientais e de restauração urbana reconhecidos em todo o país e, mais do que isso, como uma saudável injeção de autenticidade que ajudará a mobilizar o voto feminino. Kerry diz que Teresa é sua "arma secreta".Para grande apreensão do comando do partido, ela mostrou seu poder de fogo na véspera da abertura da convenção, ao ser interpelada por um repórter de um jornal da Flórida sobre declarações que fizera num comício sobre a perda de civilidade no debate político. Diante da insistência do jornalista de que ela comparara certos comportamentos a "atividades antiamericanas", uma expressão historicamente carregada que não usou (ela falou em atitudes "antiamericanas"), Teresa baixou o nível e disse ao repórter que enfiasse a declaração onde bem entendesse."Eu realmente queria que ele parasse (de me amolar)", explicou Teresa depois do incidente. "Eu luto e lutei e assumi risco em nome da liberdade, da justiça, da igualdade e da liberdade de expressão", disse. "Se alguém atacar minha integridade e puser palavras na minha boca, eu me defenderei", disse Teresa, que já disse ser "muito velha" para mudar de temperamento. Num concessão às exigências da política, ela submeteu seu discurso desta terça ao comando da campanha antes de subir à tribuna. "Eu sei que este é um ritual, mas o discurso está na minha linguagem", disse ela. "Eu acho que as pessoas gostam de ouvir o que os outros pensam e é isso que vou fazer na campanha."

Agencia Estado,

28 de julho de 2004 | 05h56

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