Mulher de líder chinês atribui crime a 'colapso'

Detalhes sobre o caso mostram Gu Kailai, casada com Bo Xilai, burocrata que aspirava à cúpula do PC, conspirou com aliados para matar britânico

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h08

A chinesa Gu Kailai - mulher do político Bo Xilai, que confessou o assassinato do britânico Neil Heywood, ocorrido em novembro - disse ter matado o empresário em razão de um "colapso mental", afirmou ontem a imprensa oficial da China. Com o processo por homicídio encerrado, vários detalhes sobre o caso foram revelados.

Os relatos mostram a mulher de Bo Xilai - político proeminente que caiu em desgraça durante o escândalo - conspirando com aliados, entre eles o chefe da polícia da megacidade de Chongqing, que foi governada por seu marido, para proteger o filho único do casal de uma suposta chantagem por parte do empresário britânico.

Os promotores apresentaram provas de que o Heywood exigiu dezenas de milhões de dólares do filho de Gu, o trancou numa casa na Grã-Bretanha e enviou um e-mail ameaçando "destruí-lo". Em resposta, Gu procurou a ajuda do chefe de polícia local, Wang Lijun, que se recusou a cooperar com o seu plano de livrar-se de Heywood e, mais tarde, gravou secretamente a confissão dela, depois que o britânico foi envenenado.

A história oferece um raro vislumbre dos segredos de uma família chinesa pertencente a um dos mais altos escalões do governo de Pequim. Revela uma luta entre Gu, seu filho educado em Oxford, Bo Guagua, de 24 anos, e Heywood, há muito tempo seu amigo e sócio. O corpo do britânico foi encontrado em um hotel de Chongqing, metrópole ocidental da China, governada há mais de quatro anos por Bo, alto funcionário do PC chinês.

Um relato detalhado do processo foi postado na manhã de ontem na rede social Renren por Zhao Xiangcha, um estudante universitário de Anhui que disse ter estado no tribunal. Ele afirmou que escreveu os detalhes de memória, depois que o julgamento de sete horas se encerrou. A maior parte do relato, deletado de sua página no renren.com pouco depois, foi confirmado por dois advogados que estiveram na corte.

O caso teve início quando Heywood foi apresentado a Xu Ming, um jovem bilionário e amigo da família Bo, na cidade de Dalian, no nordeste da China, onde Bo fora prefeito, e a um executivo de uma empresa estatal, apelidado de Zhang. / NYT

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