EFE/MIGUEL GUTIERREZ
EFE/MIGUEL GUTIERREZ

Mulher de López denuncia intimidação em prisão militar

Seundo Lilian Tintori, ela e a mãe do líder opositor, Antonieta Mendoza, foram forçadas a se despir e tiveram suas partes íntimas revistadas na presença dos filhos do casal, de 3 e 6 anos

O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 10h08

CARACAS - Lilian Tintori e Antonieta Mendoza, mulher e mãe, respectivamente, do líder opositor preso Leopoldo López, denunciaram na noite de terça-feira ao Ministério Público da Venezuela uma suposta série de intimidações na prisão militar de Ramo Verde quando ambas visitavam seu parente preso.

As duas garantiram para a unidade especializada em violência de gênero do Ministério Público que essas "intimidações" também envolveram os filhos de Lilian e López, de apenas 3 e 6 anos.

A esposa do líder opositor explicou que, após serem interrogadas e submetids a exames forenses, os promotores Veremin Rodríguez, Elvis Rodríguez e Merci Ramos se comprometeram a oferecer a elas a medida de proteção que pediram.

"Eu quero que se abra uma investigação, que vão a Ramo Verde e averiguem os militares. Que contem tudo o que aconteceu lá, que peçam os vídeos, há câmeras por todos os lados em Ramo Verde", disse Lilian em declarações aos jornalistas.

A esposa de López comentou que, durante os quase dois anos que seu marido está na prisão, já denunciou "tratamentos desumanos" e "nada aconteceu".

Durante a visita familiar no último domingo à prisão de Ramo Verde, próxima da capital Caracas, as mulheres garantiram que foram forçadas a se despir e tiveram suas partes íntimas revistadas na presença das crianças Manuela e Leopoldo, por ordem do coronel Viloria.

Esse militar, que foi identificado apenas pelo sobrenome, foi chamado pelas duas de "cúmplice de Diosdado Cabello", vice-presidente do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ex-presidente da Assembleia Nacional.

"Não confio nas autoridades militares de Ramo Verde, o coronel é cúmplice de Diosdado Cabello, as ordens são diretas de Nicolás Maduro (presidente da Venezuela) e de Diosdado Cabello, porque é isso que nos dizem os funcionários da prisão todas as vezes que questionamos de quem é a ordem", afirmou Lilian.

Antonieta indicou que, após obrigá-la a se despir no quarto disposto para as revistas na presença de seus netos e de duas sargentas, as funcionárias "tentaram tocar" Manuela.

"Ela já tinha tirado os seus sapatos por vontade própria, e quando lhe retiraram as calças, eu disse: 'você não pode tocá-la'", relatou a mãe do político preso.

O titular da Defensoria Pública venezuelana, Tareck William Saab, deve se reunir nesta quarta-feira, 20, com Lilian e com outros representantes e parentes de opositores presos que pediram apoio para a aprovação da Lei de Anistia.

De acordo com Lilian, o defensor público tem conhecimento dos "tratamentos desumanos" aos quais são submetidos aqueles que a oposição considera como "presos políticos" como, por exemplo, Lailed Salazar, uma capitã militar. "Eles estão matando ela, que está pesando 25 quilos porque não lhe dão de comer, e mesmo assim não fazem nada".

Além disso, Lilian afirmou que López falou na terça-feira com seu advogado e disse que está "indignado", mas que sabe que o denunciado por sua esposa e sua mãe "acontece também em outras prisões" e elas não são as únicas a passarem por esse tipo de constrangimento. / EFE e AFP

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