Mulher de opositor é queimada viva no Zimbábue

Jornal britânico 'The Times' afirma que milícia ligada ao presidente Mugabe agride e mata ex-professora

Agências internacionais,

12 de junho de 2008 | 13h45

A mulher de Patson Chipiro, líder do partido Movimento para a Mudança Democrática (MCD, sigla em inglês) no distrito de Mhondoro, foi assassinada por membros da milícia ligada ao governo do presidente Robert Mugabe. Segundo a edição do jornal britânico The Times desta quinta-feira, 12, Dadirai foi trancada em uma casa e queimada viva, a segunda mulher de um membro da oposição assassinada por militantes do partido governista Zanu (PF).   Veja também: Documentos mostram campanha militar pró-Mugabe no Zimbábue  Rival de Mugabe é preso pela 3ª vez em duas semanas   De acordo com o jornal, sete homens invadiram a residência do casal em busca de Patson Chipiro, mas só encontraram a sua mulher, Dadirai. Os membros da milícia então "cortaram uma de suas mãos e seus dois pés", jogaram-na na casa trancada e "lançaram uma bomba de gasolina pela janela". O médico responsável pela autópsia afirmou que a mulher morreu de "hemorragia e ferimentos graves".   A atrocidade cometida na última sexta-feira, uma das mais cruéis cometidas pelo governo de Robert Mugabe desde a independência do Reino Unido, em 1980, é parte da onda de violência que atingiu o país após as eleições presidenciais em que o opositor Morgan Tsvangirai venceu e disputa o segundo turno com o presidente.   A ex-professora de 45 anos foi a segunda mulher de oficiais do partido opositor queimada viva por militantes do partido governista Zanu (PF). Pamela Pasvani, uma gestante de 21 anos e mulher de um líder local de Harare, não sofreu mutilações, mas morreu por conta da gravidade das queimaduras; sua filha de 6 anos morreu nas chamas. Chipiro chegou da capital, Harare, e encontrou a casa em chamas. "Tentei apagar o fogo", contou. "Pensei que minha mulher estava escondida nos arbustos". Sua sobrinha de quatro anos Admire, ouviu os chamados do tio e contou "eles correram atrás de mim. Bateram na titia e atearam fogo nela."   A oposição, diplomatas estrangeiros e grupos de direitos humanos internacionais acusaram Mugabe de orquestrar uma série de atos violentos contra os partidários de Tsvangirai para garantir a vitória da situação. O governo local e o porta-voz do partido de Mugabe várias vezes negaram as acusações.   Mugabe está no poder desde 1980, quando o país tornou-se independente do Reino Unido. Inicialmente considerado um dos heróis da independência, nos últimos anos passou a ser acusado por usar fraudes eleitorais e intimidação para perpetuar-se no cargo e também por abusos aos direitos humanos.   O atual líder também é acusado pela crise econômica vivida pelo país. Muitas terras foram tomadas - em vários casos de forma violenta - de fazendeiros brancos, mas depois foram mal cuidadas e a produção agrícola, chave para o país, caiu bastante. Mugabe afirma que ordenou as tomadas de fazendas, iniciadas em 2002, para auxiliar os negros pobres. Mas muitas das propriedades ficaram nas mãos de seus aliados.

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