Le Monde/Reprodução
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Mulher de terrorista francês pode estar em território do EI

Revista do grupo jihadista entrevistou mulher que diz ser viúva de Amedy Coulibaly, que fez reféns em mercado de Paris em janeiro

O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 09h37


BEIRUTE - Uma revista do grupo extremista Estado Islâmico (EI) publicou uma entrevista com uma mulher que diz ser viúva de Amedy Coulibaly, que fez reféns em um supermercado em Paris na série de atentados do começo do ano. A mulher deve ser a francesa Hayat Boumeddiene e essa é a primeira confirmação de que ela está em território controlado pelo EI, que abrange partes da Síria e do Iraque.

A publicação de quarta-feira 11 da página online em francês do EI traz uma edição sobre os atentados em Paris e inclui uma entrevista com a mulher que diz ser a viúva de Coulibaly, mas seu nome não tenha sido divulgado. A Reuters não pôde verificar imediatamente a autenticidade da entrevista, que não traz fotos ou vídeos de Hayat.

A França iniciou uma investigação sobre Hayat, de 26 anos, depois que a polícia invadiu em janeiro um supermercado judaico onde Coulibaly havia feito reféns. Autoridades descreveram-na como uma mulher armada e perigosa.

Altos funcionários turcos disseram no mês passado que Hayat havia estado na Turquia cinco dias antes do atentado, mas depois cruzou a fronteira para a Síria, em 8 de janeiro.

Questionada sobre como se sentiu quando entrou no "califado", termo que o EI usa para o território que controla, ela disse, segundo a revista: "Não encontro quaisquer dificuldades (ficando aqui). É bom viver na terra regida pelas leis de Deus."

A mulher também afirmou que seu marido era partidário do grupo jihadista. O próprio Coulibaly havia dito que estava realizando o ataque em nome do EI em um vídeo.

Dezessete pessoas, entre elas jornalistas e policiais, foram mortas em três dias de ataques iniciados com um atentado ao semanário satírico Charlie Hebdo, em 7 de janeiro, e encerrados com a tomada de reféns em um supermercado kosher. Dois outros homens armados foram mortos.

Uma fotografia oficial da polícia francesa mostra Hayat como uma jovem mulher de cabelos escuros longos e soltos. A imprensa francesa divulgou fotos que seriam de uma Hayat totalmente encoberta, posando com uma besta em mãos, numa suposta sessão de treinamento em 2010 na região montanhosa de Cantal.

Segundo meios franceses, a mãe de Hayat morreu quando ela era criança. O pai teve de se esforçar muito para cuidar de sete filhos e trabalhar. Hayat perdeu o emprego como caixa quando se converteu ao islamismo e começou a usar o nicab, o véu facial muçulmano. /REUTERS

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