DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Mulher de turco preso no Brasil diz que depósito é relativo a presentes em ouro

Merve Sipahi afirma que R$ 1 mil não dá para financiar terrorismo, como acusa a Turquia

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2019 | 05h00
Atualizado 27 de abril de 2019 | 11h37

A mulher de Ali Sipahi diz não entender por que o marido foi preso, nem saber o motivo de o presidente turco, Recep Erdogan, ter pedido sua extradição ao governo brasileiro. 

Merve Sipahi visitou o marido na carceragem da Polícia Federal nesta sexta-feira, 26, em São Paulo e chorou ao lembrar do encontro, ao qual levou o filho de 4 anos, que nasceu no Brasil. “Ele (a criança) está muito nervoso com a situação, principalmente porque o pai dele apareceu na TV e não entende direito o que está acontecendo”, conta. 

Sipahi foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando voltava com a mulher dos EUA. Merve pensou, a princípio que ele fora levado para prestar esclarecimentos. Quando a Justiça negou um pedido de libertação no dia 16, ela entendeu que a situação era mais grave. “Toda a comunidade ficou surpresa de isso acontecer no Brasil, que é numa democracia”, disse. 

organização turca Hizmet, considerada um grupo terrorista por Erdogan, teme que cerca de 300 turcos moradores do Brasil ligados ao movimento sejam presos e sofram processos de extradição similares ao do empresário.

Merve diz que as transações financeiras que o governo de Erdogan alega terem sido usadas para financiar o terrorismo fazem parte de presentes dados em ouro ao casal no seu casamento, como exige a tradição turca. “Que tipo de terrorismo é financiado com R$ 1 mil”, questiona ela, mostrando um extrato bancário, com o valor convertido em liras. “Se não fosse o banco, teriam pedido a prisão porque ele é assinante do jornal do Hizmet, ou porque tomou aulas em cursos do Hizmet. Foi um pretexto”, reclama.

Ilyas Kar diz que prisão de seu sócio alterou a rotina do pequeno restaurante no Baixo Augusta, em São Paulo, conhecido pelos kebabs, baklavas e lahmajouns – uma espécie de esfiha típica. O restaurante, conta Kar, conta com funcionários brasileiros e alguns refugiados, como haitianos e venezuelanos. “Essa perseguição começou na Turquia. Depois passou para países vizinhos fracos politicamente. E agora ao Brasil”, disse o empresário. “Começaram cancelando cursos de língua turca do Hizmet no Brasil. Agora, estão prendendo nossos membros.”

O restaurante de Kar e Sipahi costuma encher nos fins de semana, quando o movimento na Augusta é intenso, e é comum os dois trabalharem até as 5 horas da manhã. O negócio fica longe de Santo Amaro, coração da colônia turca em São Paulo, que, segundo Kar, reúne cerca de mil pessoas – 25% delas ligadas ao Hizmet.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.