Mulher do Nobel da Paz visita marido e fica sob prisão domiciliar

ONG Freedom Now assegurou que Xia Liu não foi acusada de um crime, mas foi proibida de abandonar sua casa ou usar seu telefone celular depois de visitar o marido na prisão

EFE e Reuters,

10 de outubro de 2010 | 17h25

Autoridades chinesas prenderam a esposa do ativista preso Liu Xiaobo, ganhador do Nobel da Paz, em seu apartamento em Pequim, disse neste domingo um grupo de direitos humanos dos EUA.

 

Em comunicado, a ONG Freedom Now assegurou que Xia Liu não foi acusada de um crime, mas foi proibida de abandonar sua casa ou usar seu telefone celular depois de visitar o marido na prisão para falar sobre o seu prêmio.

 

O ativista preso Liu Xiaobo chorou ao saber que foi agraciado com o Nobel da Paz e dedicou o prêmio aos "mártires da Praça da Paz Celestial", em referência ao massacre de estudantes que pediam reformas democráticas na China cometido pelo Exército do país, em 1989.

 

A advogada e porta-voz do Freedom Now, Beth Schwanke, disse que um dos especialistas em direitos humanos do grupo, Yang Jianli, obteve a notícia da detenção de Liu Xia de uma fonte que não se identificou por temer que também fosse detido. "Liu Xia está sob enorme pressão", afirmou Jianli.

 

A esposa do dissidente informou hoje através de um comunicado do encontro que teve esta manhã com seu marido na prisão de Jinzhou, em Liaoning, onde ele cumpre pena de 11 anos por ter redigido um manifesto que reivindicava reformas democráticas em seu país.

 

Liu Xia, que está sob prisão domiciliar, disse que os guardas da prisão informaram ontem a seu marido sobre a decisão do júri do Instituto Nobel Norueguês.

 

Ao retornar a Pequim, a poetisa, que se casou com Liu Xiaobo em 1996 enviou mensagens através de seu twitter. "Irmãos, já retornei. Estou sob prisão domiciliar e não sei quando vou poder vê-los. Meu telefone está quebrado e não posso receber ligações. Vi Liu Xiaobo. Na noite do dia 9 os guardas contaram a ele sobre o prêmio. Quando tudo se acalmar, por favor, ajudem-me a pressionar. Graças".

 

"Esperamos que os líderes mundiais condenem este vergonhoso ato do Governo chinês e peçam a libertação imediata de Liu Xia", disse Jianli.

 

Na quarta-feira passada, a poetisa disse que não esperava que concedessem o Nobel a seu marido, quem, segundo ela, é um homem prestativo, doce e com um alto senso de responsabilidade social.

 

O Governo chinês reagiu à concessão do Nobel ao dissidente reforçando a vigilância sob a qual sua esposa vive desde dezembro de 2008, quando ele foi preso após assinar, junto com outros 300 intelectuais, o manifesto político "Carta 08", que pede a entrada em vigor de direitos constitucionais como a liberdade de imprensa e de expressão e o pluripartidarismo.

 

Após o anúncio do ganhador do prêmio, Pequim convocou o embaixador norueguês na China para expressar sua rejeição à concessão do Nobel da Paz a Liu Xiaobo e para dizer que as relações bilaterais entre os países poderiam sofrer as consequencias dessa decisão.

 

Além disso, o Governo impediu que a notícia aparecesse nas capas dos meios de comunicação do país, restringindo seu espaço a notas editoriais que definem Liu Xiaobo como um "criminoso" e a concessão do Nobel como um "absurdo".

 

Embora a maioria de chineses nem saibam quem é Liu Xiaobo, a censura que o regime está exercendo sobre o assunto está despertando a curiosidade em muitos cidadãos da República Popular da China, onde as manifestações de estudantes da Paça da Paz Celestial que o intelectual liderou junto com outros ativistas até hoje é considerada um tabu.

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