Gaia Anderson/AP
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Mulher e 3 filhos de Kadafi fogem para a Argélia; rebeldes pedem extradição

Autoridades argelinas dizem que os parentes do ditador não enfrentam acusações em tribunais e descartam possibilidade de repatriá-los pra julgá-los no país; fontes ligadas aos insurgentes afirmam que outro filho do líder líbio, Khami, foi morto em combate

Lourival Sant?Anna, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI

A Argélia informou ontem que a segunda mulher do ditador Muamar Kadafi, Safiya, a filha Aisha e dois de seus sete filhos, Mohammed e Hannibal, juntamente com suas mulheres e filhos, chegaram ontem à capital do país, Argel. O embaixador argelino na ONU, Murad Benhemidi, garantiu que Kadafi não estava no grupo, que chegou pela manhã, em um Mercedes-Benz e um ônibus, cruzando pelo Deserto do Saara, ao sul dos dois países.

Uma das mulheres deu à luz no caminho, disse o embaixador, mas mãe e filho passam bem. Benhemidi afirmou que a entrada deles no país foi autorizada por "razões humanitárias". Outro funcionário do Ministério das Relações Exteriores disse ao jornal The New York Times que não há ordens de captura por parte da Corte Internacional de Haia contra nenhum dos integrantes do grupo. A Corte abriu processo contra Kadafi, seu filho Seif al-Islam e o chefe de seu serviço de inteligência, Abdullah Sanussi, por crimes contra a humanidade.

O embaixador garantiu que Kadafi "não está na Argélia e não há nenhuma indicação de que ele queira ir para lá". Benhemidi disse ainda que o Conselho Nacional de Transição (CNT) havia sido informado da chegada dos parentes de Kadafi a Argel e não havia sido feito nenhum pedido formal de sua extradição. Entretanto, Ahmed Jibril, membro do CNT, declarou que, se confirmada a informação, o governo provisório pediria à Argélia que os parentes de Kadafi sejam entregues "para serem julgados pelos tribunais líbios".

Outro filho de Kadafi, Khamis, comandante de uma das maiores brigadas de defesa do regime, teria sido morto ontem durante um combate, de acordo com informações dos rebeldes. A notícia, porém, não foi confirmada por fontes independentes.

No fim de semana, a agência estatal de notícias egípcia Mena havia noticiado que, segundo combatentes rebeldes não identificados, um comboio de seis Mercedes blindados teria cruzado a fronteira entre a Líbia e a Argélia, na cidade de Ghadamis. Suspeitava-se de que Kadafi ou pessoas ligadas a ele estivessem no comboio. O Ministério das Relações Exteriores argelino negou a informação. A Argélia é tradicional aliada da Líbia de Kadafi. É o único país vizinho que não reconheceu o CNT como legítimo governo da Líbia. Os oposicionistas acusam a Argélia de ter fornecido mercenários para apoiar Kadafi.

O paradeiro de Kadafi é um mistério desde que os rebeldes invadiram na terça-feira o complexo de Bab al-Azizia, onde ele vivia. Em reunião ontem em Doha (Catar) com representantes da Otan, o presidente do CNT, Mustafa Abdel-Jalil, advertiu que Kadafi ainda é capaz de provocar danos e pediu que a aliança continue apoiando militarmente os rebeldes.

Em Trípoli, o subchefe do Conselho Militar Nacional rebelde, Suleiman Mahmud al-Obeidi, anunciou a formação de um comitê de 17 membros que deve unificar os cerca de 30 conselhos militares locais formados no oeste da Líbia. O objetivo é criar um embrião para as novas Forças Armadas.

A França e a Grã-Bretanha anunciaram estar enviando diplomatas e pessoal técnico para preparar a reabertura de suas embaixadas em Trípoli. E a empresa italiana ENI assinou um memorando de entendimento com o CNT para retomar a operação do gasoduto que liga a Líbia à Itália e a produção de petróleo.

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