Mulher é presa por dirigir na Arábia Saudita

Manal al-Sharif liderava campanha pelo direito de a mulher guiar automóveis no país

, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

A Arábia Saudita agiu rapidamente para acabar com o movimento de mulheres que lutam pelo direito de dirigir. Manal al-Sharif, de 32 anos, uma das organizadoras da campanha, foi presa no domingo e deve ser mantida sob custódia por até cinco dias por acusações de perturbação da ordem e incitação da opinião pública. A mulher dirigiu em duas ocasiões para chamar atenção para a causa. A campanha foi inspirada pelos levantes do mundo árabe, que exigem a ampliação das liberdades civis.

Manal ajudou a organizar, via Facebook e Twitter, um protesto nacional marcado para o dia 17 de junho. As campanhas, que chegaram a atrair milhares de partidários online, foram proibidas. A Arábia Saudita é o único país do mundo em que as mulheres são proibidas de dirigir. Elas também não podem votar nem trabalhar sem autorização expressa do pai ou do marido.

Para os religiosos mais puritanos, a proibição de mulheres ao volante é um sinal de que o governo segue resistindo com firmeza a uma série de ataques ocidentais contra as tradições sauditas.

Mesmo antes da detenção, o debate entre aqueles favoráveis e contrários à proibição seguia acalorado. Um dos argumentos em favor da mudança é o de que as mulheres comandavam jumentos na época do Alcorão. Segundo um clérigo, comandar o animal é mais difícil do que dirigir um veículo.

Muitos opositores da medida são conservadores religiosos que rejeitam a ideia de expor as mulheres a desconhecidos fora de suas casas ao permitir que elas dirijam. A proibição tem suas raízes em decretos religiosos emitidos pelos clérigos.

"Eles não querem que ninguém pense que sairá impune depois de se envolver em algo do tipo. Trata-se de uma mensagem clara mostrando que não serão tolerados movimentos organizados via Facebook. É por isso que ela está na prisão", disse Wajiha Howeidar, que filmou Manal enquanto ela dirigia.

Algumas mulheres também manifestaram oposição. Elas acreditam que o direito de dirigir é o pavio de um barril de pólvora social e insistir no tema poderia fazer recuar as lutas por liberdades mais importantes e fundamentais no país, como o direito ao voto e o fim do regime legal de guarda segundo o qual os homens sauditas podem controlar virtualmente todos os aspectos da vida das mulheres. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.