Mulher foi autora de ataque terrorista em Israel

Uma mulher palestina detonou neste domingo explosivos no centro de Jerusalém Ocidental, matando um israelense de 81 anos e deixando 110 feridos, informou a polícia. A mulher também morreu. O vice-ministro de Segurança Pública de Israel, Gideon Ezra, disse que as autoridades "tiveram, embora não recentemente, alertas da inteligência de que mulheres poderiam lançar ataques suicidas". No Líbano, a emissora de televisão Al-Manar, dirigida pelo movimento militante islâmico Hezbollah, confirmou que o ataque foi cometido por uma mulher palestina. É a primeira vez que uma palestina lança um atentado suicida em Israel desde o início da nova intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense), há 16 meses. As vítimas ficaram espalhadas pela rua; vitrines de lojas foram arrebentadas pela força da explosão e no mínimo uma loja incendiou-se, na Rua Jaffa, um setor comercial movimentado que se estende por Jerusalém Ocidental. A mulher detonou os explosivos perto de uma loja de calçados, atraindo médicos e paramédicos que chegaram rapidamente ao local. Os feridos - três deles, gravemente - foram atendidos lá mesmo ou conduzidos a hospitais. Uma testemunha que só revelou seu primeiro nome, Avi, afirmou que era médico e relatou ter corrido para a cena do atentado ao ouvir a explosão. "Havia pessoas gritando. Vi uma mulher com um corte na garganta, amarrei um pano em torno do ferimento e a levei até uma ambulância", disse Avi. "Depois acudi uma moça que estava literalmente enterrada em baixo de uma pilha de caixas de sapatos. Seus cabelos estavam queimados", relatou ele à Rádio Israel. O chefe de polícia de Jerusalém, Mickey Levy, sofreu um ataque cardíaco ao chegar ao local do atentado. Ele foi internado no hospital Bikur Holim em estado descrito por médicos como "grave mas estável". Nenhum grupo reivindicou imediatamente a responsabilidade pelo atentado, mas o governo israelense declarou que considera o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, o responsável. Arafat "está encorajando o terrorismo, está enviando (terroristas) a Jerusalém", disse Raanan Gissin, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. "Continuaremos a desmantelar, sistematicamente, a infra-estrutura terrorista." A AP, por sua vez, condenou "com veemência o ataque suicida contra civis israelenses em Jerusalém". Os dirigentes da Autoridade Palestina exortaram o presidente americano, George W. Bush, a enviar seu emissário Anthony Zinni novamente à região. Entretanto, Bush tem feito críticas duras a Arafat, e as gestões mediadoras de Zinni parecem estar suspensas por enquanto. Israel descartou as sugestões de estabelecimento de um cessar-fogo feitas por líderes palestinos, classificando-as como insignificantes, e insistiu que Arafat estaria encorajando os militantes. Em discurso proferido no sábado, Arafat declarou que os palestinos estão "enfrentando uma crise militar, mas, apesar de tudo isso, ninguém se queixa do sofrimento."

Agencia Estado,

27 Janeiro 2002 | 20h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.