Mulher grava supostas provas de perseguição e se diz ignorada pela polícia

Britânica diz ter chamado as autoridades diversas vezes, mas o suspeito continua solto.

BBC Brasil, BBC

25 de janeiro de 2011 | 15h51

Uma britânica diz ter provas em vídeo das ameaças feitas nos últimos dois anos por um homem que, segundo ela, a persegue obsessivamente.

Identificada apenas como Eve, a mulher - moradora de uma cidade no condado de Lancashire (Inglaterra) - diz ter chamado a polícia por diversas vezes, mas o suspeito continua solto.

Eve registrou, em vídeo e em áudio, telefonemas e visitas do suspeito à sua casa. Em uma das gravações, feitas por telefone, uma voz masculina diz: "você vai pagar por isso, cedo ou tarde. Só espere".

Em um dos vídeos, um homem bate à porta de Eve e parece proferir ameaças enquanto vai embora do local.

Em outra ocasião, a mulher gravou em seu celular um suposto ataque do perseguidor em sua própria casa. No áudio, a mulher diz estar presa e pede para ser solta. "Não me provoque assim, você não sabe do que eu sou capaz", diz uma voz masculina.

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Britânica diz ter chamado a polícia várias vezes, mas suspeito está solto

Eve entregou as provas da suposta perseguição à polícia, mas ela acredita que as autoridades não estão levando as suas acusações a sério.

"Eu sinto que eu não tenho uma vida", disse Eve ao repórter da BBC Richard Bilton, do programa Panorama. "Eu dou um pulo quando alguém bate na porta ou sobe as minhas escadas. Isso dá uma confusão nos nervos."

A polícia de Lancashire diz que está "revisando os seus procedimentos" no caso de Eve e que uma investigação está sendo realizada a respeito.

Conduta policial

O caso de Eve é um entre diversos outros relatados pela mídia britânica nos últimos anos, envolvendo homens que perseguem mulheres.

Depois da morte de Katie Boardman, que foi esfaqueada 82 vezes pelo ex-namorado dentro de casa em Farnworth, em outubro de 2008, a polícia britânica lançou novas linhas de conduta para lidar com casos de perseguição por motivos afetivos ou sexuais.

No entanto, apenas 12 dos 39 departamentos de polícia da Inglaterra e do País de Gales que responderam a uma carta do programa Panorama disseram estar adotando as novas normas. No total, existem 43 departamentos.

Segundo o oficial Garry Shewan, da Associação de Chefes de Polícia da Grã-Bretanha, as normas estão sendo usadas diariamente. "Leva um longo tempo para treinar todos os milhares de policiais que têm contato com essas vítimas", afirma.

É estimado que uma em quatro mulheres será perseguida com esta motivação em algum momento de sua vida. No caso dos homens, a proporção é de um em cada 20.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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