Mulher identificada como Sakineh diz ser 'pecadora'

TEERÃ

AP, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

Novas imagens de uma mulher identificada como Sakineh Ashtiani - a iraniana acusada de adultério e condenada à morte por apedrejamento - foram veiculadas ontem em rede nacional pela TV estatal do Irã. Na filmagem, a suposta Sakineh afirma ser "uma pecadora".

A reportagem mostrou ainda dois homens com os rostos desfocados que seriam o filho e o advogado de Sakineh - ambos estão detidos em Teerã. Dois alemães que teriam tentado contactar a família da condenada iraniana também aparecem no vídeo, com a imagem do rosto inalterada. A única frase pronunciada pela mulher que seria Sakineh no programa televisionado ontem foi "eu sou uma pecadora".

Em agosto, a TV estatal iraniana veiculou imagens de Sakineh confessando ter conspirado para matar seu marido. Para a Anistia Internacional, a confissão foi obtida sob tortura.

O caso de Sakineh ainda está sendo discutido pela Justiça iraniana. Inicialmente, Teerã anunciou que a condenada seria executada por apedrejamento. O Judiciário iraniano, porém, depois anunciou ter alterado a sentença de Sakineh, que deveria então ser enforcada. A Suprema Corte do país ainda se pronunciará sobre o caso. A decisão de executar a iraniana de 43 anos causou revolta e protesto em várias partes do mundo. Os EUA e vários países europeus condenaram duramente a Justiça iraniana.

Questionado sobre o caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse primeiro que seria "uma avacalhação" comentar assuntos internos do Irã. Sob críticas, Lula mudou o discurso e chegou a oferecer asilo no Brasil a Sakineh, possibilidade descartado pelo Irã. A presidente eleita, Dilma Rousseff, qualificou como "uma barbaridade" a sentença contra Sakineh.

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