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Mulher indiciada por inventar leucemia para ter casamento dos sonhos

Marido da americana foi o primeiro a desconfiar, mas disse que não quer ver mulher presa, pois 'ela é boa mãe'

BBC Brasil, BBC

11 de abril de 2012 | 07h58

NOVA YORK - A promotoria do Estado de Nova York indiciou nesta terça-feira, 10, a americana Jessica Vega, 25 anos, por fraude e roubo, depois de constatar que ela conseguiu o "casamento dos sonhos" ao inventar que estava morrendo por causa de uma leucemia.

"Fingindo ter uma doença terminal, Vega tirou proveito dos corações e mentes da comunidade e lucrou com a generosidade alheia", disse o promotor Eric Schneiderman. "Acolhemos a denúncia por ela ter ludibriado o público", completou

Em setembro de 2010, o americano Michel O'Connell acusou a então ex-mulher, Jessica, de fingir que sofria de leucemia em estágio terminal para convencê-lo a casar-se com ela e conseguir que estranhos pagassem os custos da cerimônia e da lua-de-mel.

As circunstâncias do casamento comoveram a comunidade em que o casal vivia - em Newburgh, perto de Nova York - e a história foi parar em um jornal local, o Times Herald-Record.

Várias pessoas, entre conhecidos e estranhos, fizeram doações para a cerimônia. Eles ganharam o vestido de noiva, um desconto no salão de festas e no bar, um par de alianças, passagens e hotel para a lua-de-mel em Aruba, no Caribe, dinheiro para gastar na viagem e ainda maquiagem e penteados para a noiva e suas sete damas de honra.

Os dois se conheceram em uma escola de culinária em Manhattan, segundo o Times Herald-Record, e pouco depois estavam morando juntos.

Diagnóstico 'errado'

Jessica teria recebido o diagnóstico confirmando a leucemia mieloide aguda no início de 2010. Em função da doença, os dois se apressaram para realizar o casamento antes que a noiva ficasse impossibilitada de andar até o altar.

Mas alguns meses depois do casamento, O'Connell começou a desconfiar da veracidade da doença, afirmando que o quadro de saúde da mulher não piorava. Ao telefonar para o médico que teria dado o diagnóstico, O'Connell ouviu da recepcionista que Jessica nunca fora paciente na clínica.

"Achei que ela estava morrendo e meu objetivo era dar a ela tudo o que quisesse antes que morresse", disse na época O'Connell ao jornal New York Daily News. "Agora quero a verdade. Se isso significar que ela vá para a prisão, então, que ela pague pelo que fez", completou.

Jessica, por sua vez, afirmou ao Times Herald-Record que recebeu o diagnóstico de que sofria de leucemia, mas que este talvez estivesse "errado". Em 2010, ela disse ainda que deixou o marido porque ele era violento.

No entanto, de acordo com a agência de notícias AP, o casal estaria vivendo na mesma casa novamente, em Virginia, com suas duas crianças.

"Ela é boa mãe", disse O'Connell ao Times Herald-Record. "Quero que meus filhos tenham a mãe de volta".

A sentença máxima para os crimes pelos quais Jessica está sendo processada é de 4 anos e meio de prisão.

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