REUTERS/Toby Melville/File Photo
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Mulher mais rica da África é acusada de fraude e lavagem de dinheiro

Isabel dos Santos é filha do ex-presidente de Angola e foi presidente do grupo de petróleo do país

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 05h46

LUANDA - A bilionária angolana Isabel dos Santos, filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos, foi acusada de fraude, desvio de fundos e lavagem de dinheiro, anunciou o procurador-geral angolano. Procurada por várias semanas pela justiça angolana, Isabel dos Santos também foi acusada de tráfico de influência, abuso de bens sociais e falsificação de documentos quando era presidente do grupo público de petróleo angolano Sonangol, informou o Procurador Geral Helder Pitta Gros na noite de quarta-feira, 22. 

A investigação das atividades de Isabel dos Santos do preíodo em que ela dirigiu a Sonagol, entre junho de 2016 e novembro de 2017, começou depois que seu sucessor, Carlos Saturnino, denunciou "transferências irregulares de dinheiro". Considerada a mulher mais rica da África, Isabel poderia ter usado o apoio de seu pai para obter fundos estatais do país mais rico em petróleo da África do Sul e investi-lo no exterior com a ajuda de empresas ocidentais.

Isabel deixou Angola depois que seu pai, que governou o país por quase 40 anos, renunciou à presidência em 2017 e foi substituído por João Lourenco.  A acusação ocorre três dias após a publicação do "Luanda Leaks" pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, sediado em Nova York (ICIJ, na sigla em inglês). Os documentos emitidos pelo ICIJ mostrariam como Isabel dos Santos desviou centenas de milhões de dólares em dinheiro público para contas pessoais em paraísos fiscais.

Na segunda-feira, 20 após a divulgação dos documentos "Luanda Leaks", o procurador-geral Helder Pitra Gros declarou que estava determinado a "usar todos os meios" para levar Isabel a Angola novamente, que vive entre Londres e Dubai. "Vamos ativar todos os mecanismos internacionais para trazer Isabel dos Santos de volta ao país", disse Pitra Gros, entrevistado pela rádio nacional. 

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), com sede em Nova York, também está por trás do vazamento em 2016 de documentos confidenciais sobre paraísos fiscais conhecidos como "Documentos do Panamá". /AFP

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