Mulher presa no Irã por tentar assistir jogo de vôlei masculino inicia greve de fome

Uma britânica-iraniana entrou em greve de fome numa prisão de Teerã para protestar contra sua prisão por tentar assistir a um jogo de vôlei masculino, informou o site da oposição Kalame neste domingo.

REUTERS

05 de outubro de 2014 | 15h19

A prisão de Ghoncheh Ghavami irritou as mulheres iranianas que dizem que ainda estão à espera de reformas por mais liberdade prometidas pelo clérigo pragmático Hassan Rouhani, quando foi eleito presidente no ano passado.

Ghavami, 25, foi presa em 20 de junho, do lado de fora do estádio Azadi, em Teerã, onde foi participar de uma manifestação exigindo que as mulheres sejam autorizadas a entrar para assistir ao Irã jogando contra a Itália em um jogo do campeonato internacional.

As mulheres iranianas na República Islâmica estão proibidas de assistir a determinados eventos esportivos masculinos, como futebol e vôlei.

Ghavami foi liberada logo depois, mas dias depois foi presa novamente, quando foi chamada de volta para recuperar itens que foram confiscados quando ela foi detida pela primeira vez.

O grupo de direitos humanos Anistia Internacional diz que ela está detida na prisão de Evin, que tem uma reputação de brutalidade, e passou um tempo na solitária.

Kalame disse que ela está em greve de fome há cinco dias.

A Grã-Bretanha expressou consternação com a sua detenção, que ocorreu um pouco antes da prisão em julho de Jason Rezaian, um repórter iraniano-americano para o Washington Post, e sua esposa, Yeganeh Salehi, que havia trabalhado como correspondente para o jornal National. Eles estão presos sem acusação.

O Irã não reconhece a dupla cidadania, e os trata como iranianos.

A Grã-Bretanha não tem nenhuma presença diplomática permanente no Irã desde que estudantes radicais invadiram e saquearam sua embaixada em dezembro 2011, mas disse que tem planos de reabrir a embaixada em breve. Os Estados Unidos não têm relações diplomáticas diretas com o Irã.

(Reportagem de Michelle Moghtade)

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