Melina Mara / The Washington Post
Melina Mara / The Washington Post

Mulher que acusa juiz indicado para Suprema Corte dos EUA de abuso sexual quer falar no Senado

Chistine Blasey Ford não comparecerá à audiência agendada para segunda-feira, mas pretende testemunhar mais tarde na mesma semana sob a condição de que a sessão seja 'justa' e que sua segurança seja garantida

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 04h16
Atualizado 21 Setembro 2018 | 06h33

WASHINGTON - A professora universitária Chistine Blasey Ford, que acusa o juiz Brett Kavanaugh - indicado pelo presidente Donald Trump para a Suprema Corte dos EUA - de abuso sexual, está disposta a testemunhar perante o Comitê Judiciário do Senado americano na próxima semana, informou nesta quinta-feira, 20, a imprensa local. 

De acordo com Debra Katz, uma das advogadas da professora, o pedido foi feito a funcionários do Comitê Judiciário, já que ela não poderá comparecer à sessão de segunda-feira. A data havia sido agendada pelo Senado após Christine denunciar o caso no domingo ao jornal The Washington Post. A acadêmica de 51 anos especialista em psicologia alega que Kavanaugh, de 53 anos, a agrediu sexualmente durante uma festa no início da década de 1980. Ele nega as acusações.

Senadores republicanos já sinalizaram que não dariam uma segunda chance à professora caso ela não comparecesse à audiência. Nesta semana, ela exigiu uma investigação do FBI como requisito para sua presença, mas Trump disse que não solicitaria uma nova apuração de antecedentes criminais contra Kavanaugh.

"Como todos sabem, a sra. Ford está recebendo ameaças de morte que foram relatadas ao FBI, e ela e sua família precisaram deixar sua casa", informou Debra ao comitê do Senado. "Ela deseja testemunhar, desde que sejam acertados termos justos e que garantam sua segurança. A audiência na segunda não será possível e a insistência do comitê para que ela aconteça é arbitrária."

Além disso, os advogados destacaram que sua cliente prefere que haja uma investigação de Kavanaugh antes do seu depoimento. O Comitê Judiciário ainda não se posicionou sobre o pedido.

Reveja: Kavanaugh - mais um problema para Trump

Até a denúncia, Kavanaugh, um juiz de tendência conservadora, parecia encaminhado a ser confirmado para o cargo vitalício. A chegada dele à Suprema Corte colocaria os juízes progressistas ou moderados em minoria por muitos anos no tribunal, uma jurisdição que resolve questões-chave da sociedade americana, como o direito ao aborto, ao porte de armas de fogo e os direitos das minorias.

O Comitê Judiciário do Senado previa votar a indicação na quinta-feira, mas o processo foi adiado para a próxima semana após o caso se tornar público.

Caso semelhante

Em 1991, Clarence Thomas, outro candidato ao Supremo, foi acusado de assédio sexual por Anita Hill, um professora de direito. Apesar da denúncia, o juiz foi confirmado e ainda é membro da Suprema Corte, mas o tratamento dado a Anita durante as audiências deixou marcas e incentivou muitas mulheres a entrarem para a política.

Reveja: Trump nomeia conservador para Suprema Corte

Quase três décadas depois, o clima mudou e inclusive Trump, rápido em criticar os que se colocam em seu caminho, evitou atacar Christine diretamente. O presidente se limitou a defender Kavanaugh, qualificando-o como um "homem extraordinário", e se mostrou cético com relação às acusações. "É muito difícil para mim imaginar que tenha acontecido."

A opinião pública está cada vez mais contra o juiz. Segundo pesquisa NBC/The Wall Street Journal publicada na noite de quinta, 38% dos americanos rejeitam a presença de Kavanaugh no Supremo, contra 34% que o aprovam. / THE WASHINGTON POST e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.